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27 março 2020

Dia Mundial do Teatro


Hoje é o Dia Mundial do Teatro e respondemos ao chamado feito pelo @forumteatromaceio para celebrar esse dia com trechos de vídeos de nossos trabalhos.
Tanta gente fez e faz esse coletivo. Somos grates aos encontros que o teatro nos proporciona.
Viva o teatro que faz tanto bem para a humanidade!
Viva o teatro! Fique em casa!

Edição/Montagem: @nivaldovasconcelos
Narração: @brunoalves_al @rayanewise @nivaldovasconcelos
Texto: @forumteatromaceio


04 setembro 2019

20º Feira da Reforma Agrária em Maceió!


Hoje começa a 20° Feira da Reforma Agrária, na Praça da Faculdade, localizada no bairro do Prado.
Para nós uma imensa alegria fazer parte desse momento.
Haverá o Festival de Cultura Popular com mais de 20 atrações.

No sábado, 07/09, apresentamos às 15h o espetáculo "Volante".


























12 julho 2019

Diário do Volante: "O Louco"

Mudando de espaço, entendendo o novo contexto, mergulho interior, retomando os caminhos...
"Volante" é o primeiro espetáculo desse coletivo.
Esse diário faz parte do processo de estudo e entendimento do espetáculo no Povoado Riacho em São Miguel dos Milagres, onde hoje parte desse coletivo vive.

Instagram: @coletivovolanteteatro
Facebook.com/coletivovolante






15 maio 2019

Conheça o Circulador Alagoas

Temos um site muito interessante aqui em Alagoas.
Se chama Circulador Alagoas e é destinado a falar sobre as artes alagoanas.



Deem uma conferida no site.
Espaços como esse são tão preciosos por aqui.

Desde já os parabéns e agradecimentos a todas as pessoas que o realizam. 
Confere lá! Tem muita coisa boa!

circuladoralagoas.wordpress.com

#Cultura
#CirculadorAlagoas
#Alagoas 
#MaceioAlagoas 
#Maceio 
#TeatroAlagoano 
#Teatro

23 março 2019

Rayane Góes é selecionada para Residência Artística no Equador

É com muita alegria que compartilhamos com vocês a notícia de que Rayane Góes foi uma das quatro artistas ibero-americanas selecionada para participar da Residência Artística "O Comportamento Barroco do Ator e da Cena" com o Grupo "Contraelviento Teatro" através do Programa Iberescena.

De maio a junho ela vivenciará essa imersão de trocas e aprendizados na cidade de Quito no Equador, junto com outras artistas do México, Argentina e Colômbia.

Estamos muito felizes por essa conquista!

Que os diálogos e aprendizados fortaleçam nosso fazer teatral e possibilitem mais encontros nessa jornada.

Parabéns, Rayane! 

#TeatroAlagoano 


02 fevereiro 2019

Conheça nosso canal no Youtube


Nós temos um canal no YouTube onde compartilhamos vídeos de processos, entrevistas e criações como o projeto "Texto Ex Machina".

Pretendemos explorar mais esse meio de comunicação ao longo do ano e será uma honra ter vocês por perto.

Agora aquela frase bem inesperada:
Se inscreve no canal, assina as notificações e dar like (se realmente quiser dar like).

Beijos ❤️🤝🏽🌻

Conheça clicando no link:


26 janeiro 2019

Festal 2019 vem vindo!

Parte do Grupo Gestor do Festival de Artes Cênicas de Alagoas _ @festal2019 já está se reunindo para pensar a quinta edição do Festal.




#Alagoas 
#Maceio 
#Festal2019
#ArtesCenicas

15 janeiro 2019

Campanha do Coletivo Identidade Alagoana

O Coletivo Identidade Alagoana realiza aqui em Alagoas um trabalho de incentivo, fomento e valorização da nossa cultura.

Agora é a nossa hora de ajudá-los a passar por essa fase.
Contribua!

Link para contribuir:


Abaixo o texto publicado na página oficial do Coletivo:

"Nosso ciclo no local que chamamos de Sede, desde 2016, se encerra no mês de fevereiro. Os caminhos nos levam a outros rumos, mas sempre continuando o trabalho com a cultura.
Aqui foram produzidos eventos, músicas, poesias, shows, além de ser local de encontros para criação e ensaio, utilizado por vários artistas e grupos.
Infelizmente, devido a uma falha de comunicação, adquirimos uma dívida total de R$ 5000,00 entre IPTU, Manutenção e despesas com o CNPJ do coletivo.
Pretendemos realizar uma série de ações com o objetivo de arrecadar esse montante, ou pelo menos a maior parte dele.
Entre essas ações, decidimos por pedir uma contribuição, principalmente a quem passou pelo espaço e teve oportunidade de presenciar as atividades que lá foram realizadas, e a todos e todas que acompanham o trabalho do Identidade, e que podem nos ajudar a manter nossa atuação em 2019 sem maiores dificuldades. Qualquer ajuda é bem vinda."

02 janeiro 2019

Extinção do MinC


O Ministério da Cultura está oficialmente extinto.


Vivemos nos últimos anos uma precarização do MinC e uma série de ações que visavam o desmonte do ministério e do fazer artístico em nosso país.
Somos um país de uma imensa diversidade cultural. Estamos espalhados pelos cantos desse país. Fazemos de nossos lugares o nosso espaço de criação e difusão da nossa cultura.
Perder um espaço como esse, que pensa exclusivamente formas de fomentar e difundir o fazer e os saberes culturais, é para nós um momento de luto.
Perdem os artistas, Mestres e perde também o público que pode ter acesso a muita coisa que é criada nos outros estados do país e em seu próprio estado.
Tivemos avanços, tivemos retrocessos, tinha muito o que melhorar... Estávamos numa constante busca pelo entendimento e valorização da arte e da profissão do artista.
Ficam perguntas:
A quem interessa essa extinção?
Por que valorizar e buscar formas de expandir a produção cultural não interessa?
Sabemos e desde muito tempo nos é dito que a cultura reflete questões do nosso tempo e espaço e é ela também que nos faz lembrar quem somos, quem fomos e como poderíamos ser.
Nós artistas, e os que vieram antes de nós, vamos crescendo em um espaço de constante ameaça a nossa profissão, vamos nos refazendo, vamos ressurgindo das cinzas que nos lançam. Não será fácil, talvez nunca tenha sido. O que acontece é que vamos vendo se concretizar as ameaças e a efetivação da desvalorização da nossa identidade.
Que tenhamos força para enfrentar toda a barbárie.



16 dezembro 2018

Festal receberá Prêmio Identidade Alagoana de Resistência.

O @festal2018 receberá o Prêmio @identidadeal de Resistência por sua Gestão Coletiva das edições do Festival.

Somos gratos por ser parte dessa construção e parabenizamos também ao Coletivo Identidade Alagoana pela criação desse prêmio que é um gesto de fortalecimento, amor, carinho e reconhecimento.

O Festal é um festival de artes cênicas organizado e gerido por grupos e artistas de Alagoas.




@festal2018
@algasalagoas
#premioidentidadealagoanaderesistencia 
#alagoas 
#maceio 
#maceioalagoas 
#festal

06 novembro 2018

Sobre o Festal 2018!


Nós vamos crescendo aos poucos.
Vamos nos entendendo também nesse processo de construir as coisas na coletividade.
Cada novo ano vem com seus desafios, aprendizados e redescobertas.
Vamos reaprendendo a ser junto com o outro.


Esse Festival, não se resume a uma mostra dos espetáculos produzidos em nossa terra, mas é reflexo de uma longa caminhada, das tentativas de muitas outras pessoas que vieram antes de nós. Se estamos juntos hoje, é por que outras pessoas abriram o caminho para esse encontro acontecer.
O Festal é organizado pela Rede de Artes Cênicas de Alagoas, rede essa que vamos tecendo a cada dia, a cada mês, a cada ano e a cada novo desejo comum que surge.
São treze grupos que se dispõem a dar seu tempo, seu afeto e seu amor por aquilo que mais gostam de fazer, por aquilo que é a sua profissão, mas além de apresentar ou não no Festal, os grupos se reúnem para que o outro apresente, para que o outro seja acolhido da melhor maneira possível, para que outro se sinta amado e pertencente a sua classe.
Certamente não teremos acertado em tudo, mas a nossa vontade de fazer o melhor sempre esteve acima de qualquer outra impossibilidade que viesse a surgir pelo caminho.
A gente acredita na força de estar junto. A gente escolheu estar junto.
Ninguém solta a mão de ninguém!
Nossa gratidão por ser parte dessa celebração da vida, da arte, do encontro, do afeto, do amor, de um mundo diverso e humanizado.
Juntes resistiremos! Juntes seremos cada dia mais fortes!
Foto de Alexandra Souza.
Obs.: Falta muita gente na foto. Essa é uma parte desse amor que nos sustenta.

27 outubro 2018

Teatro pela Democracia!


Acreditamos na arte como um espaço de diálogo e transformação humana.
Acreditamos em um país com mais manifestações artísticas e não em um país de armas e violência.
Acreditamos na empatia como forma de nos aproximarmos da dor do outro que é nossa também.
Acreditamos que a arte estará sempre dialogando com o seu tempo, questionando-o, debatendo, impulsionando espaços mais humanizados.
Acreditamos na arte como lugar de respeito e responsabilidade com o outro.
Acreditamos na arte como caminho para estar próximo. 
Defendemos que arte continue livre, que seu acesso ao fazer e ao apreciar seja um direito de todas as pessoas.
Por isso nunca votaremos em um  candidato que é uma ameaça a dignidade humana.
Nunca votaremos em candidato fascista.
Somos #EleNão #EleNunca até o fim.
Somos #Haddad13, somos #ManunoJaburu. Somos #TeatroPelaDemocracia

#Alagoas
#Maceio
#MaceioAlagoas
#ColetivoVolantedeTeatro
#HaddadPresidente

09 outubro 2018

Abertura do Festal 2018 com a Exposição "Fios da Memória"


Esse ano o Festival de Artes Cênicas de Alagoas - Festal vai falar sobre memória.
Precisamos conhecer a nossa história. Precisamos saber quem fomos para não esquecer quem somos.
Venha para a abertura. Tem uma exposição linda etnográfica, poética e não linear sobre fios das memórias dos nossos artistas e das obras que atravessaram seus caminhos.
Venham também celebrar conosco. Vai ter Banda com os Palhaços dos Clowns de Quinta, vai ter abraço, sorriso, dança...
O Festal é um festival colaborativo, organizado e criado por grupos e artistas alagoanes. 
Venha celebrar conosco essas quatro edições e fazer dela um momento de fortalecimento e esperança.


06 outubro 2018

Versos Volantes pela Cidade: No Caminho, com Maiakóvski - Eduardo Alves


Em meados de 1964, depois do golpe militar no Brasil, Eduardo Alves da Costa escreveu o poema “No caminho, com Maiakóvski”.
Nessa véspera de eleições pedimos licença ao autor para recitar esse texto que reaparece com muita força em um momento muito difícil para o nosso país.







11 setembro 2018

Sobre encontros e experiências na Aldeia Arapiraca 2018

Esses afetos me afetaram, é fato. Respirei arte, me inspirei de criatividade, bebi dos saberes populares. Fui contagiada por sorrisos, conversas, danças, brincadeiras e bordões.


Foi uma semana em que  a escrita da crítica sobre arte não veio só como registro, o que é fundamental, mas também como um intercâmbio com o público e os artistas, mostrando opiniões a fim de gerar discussões sobre a obra, mostrando linhas de pensamentos de forma analítica, mas buscando uma linguagem comum, para assim trazer uma reflexão aos artistas sobre seu trabalho e mostrar uma outra leitura do espetáculo ao público.







Ampliei o olhar, exercitei a escuta que agora está mais aguçada. Me permiti aprender e ser atravessada por estados e coisas. Me permiti ser atravessada pelo encontro. E agora sou outra e me gosto mais. Estou  imersa na presentificação das possibilidades, estou aberta a oportunidades, estou aberta ao universo. Quero sempre ser outras a buscar os encontros da vida como ser volante que sou, como @coletivovolanteteatro que somos.

Agradeço ao que tenho, ao que experienciei e a tudo que ainda está por vir.

Rayane Góes





08 setembro 2018

Sobre encontros e afetamentos no I Festival Alagoas Criativa


Débora me enviou uma mensagem convidando o coletivo para participar de um painel intitulado "Negócios que são espetáculos" e compartilhar um pouco sobre empreendedorismo em Artes Cênicas no nosso estado durante o I Festival Alagoas Criativa organizado pelo Sebrae-AL.

Aceitamos o convite.





Ao longo dos dias que antecederam o festival muitas inquietações surgiram e perguntas do tipo: “Mas é para falar sobre o quê? ”, "Somos empreendedores?".

Essas perguntas começaram a surgir quando comecei a pensar sobre o empreendedorismo, confesso que nunca tinha parado para pensar nesse empreendimento de vida que é o nosso trabalho com o coletivo. Talvez eu não tivesse respostas suficientes de perguntas do tipo: “Como fazer para sobreviver com Artes Cênicas em Alagoas?”. Essa, confesso mais uma vez, tem sido a pergunta que mais temos tentado responder nesse ano de 2018, porque tem aparecido muita gente nos perguntando isso.

Fui de coração aberto levando mais perguntas e inquietações do que respostas, até por que as respostas nós ainda estamos buscando e todas as perguntas que nos cercam tem nos movido a caminhar e dar um passo de cada vez.

Dentro de mim não haveria uma fórmula para ser compartilhada ou um modelo de como fazer. Nós não temos uma forma fixa na nossa criação, essa vai se moldando, se desconstruindo a cada encontro e descobrindo outras possibilidades a cada dia. Somos um coletivo jovem, quatro anos de caminhada, consideravelmente pouco tempo.

André Lira mediou o painel.

O mais legal de ter participado desse painel foi saber que lá encontraria pessoas que empreendem tempo de suas vidas na construção de coisas que as movem. Lá, nesse dia 01/09, estava para nos receber André Lira, representante do Festival e mediador do painel, e também Djaelton Quirino, ator do Teatro de Retalhos da cidade de Arco Verde – PE.

Conheça mais do Teatro de Retalhos AQUI!

Antes de começar o painel Djaelton e eu conversávamos sobre trajetórias e ele me contava histórias do Teatro de Retalhos que vem desde 2008 realizando um trabalho muito belo por Pernambuco.

As duas fotos são um registro de Elaine Lima.

Quando começou o painel falei um pouco sobre a trajetória do coletivo, das questões de precariedade que muitas vezes encontramos durante nosso processo de criação, da falta de espaços alternativos para arte na cidade, mesmo com tantos prédios e casas abandonadas. Falei que vamos encontrando em atividades paralelas (oficinas, aulas, dentre outros) espaço de sustentabilidade da nossa vida. Falei da ausência de políticas públicas para a cultura dentro do nosso estado, da falta de leis de incentivo. Falei também do pouco interesse do setor privado em apoiar muitas ações, pois estes muitas vezes estão sempre visando grandes produções e geralmente grandes produções do eixo sul e sudeste quando passam por aqui. Falei que dentro do coletivo vamos construindo nossos figurinos, buscando outros espaços, produzindo nossas peças, fazendo e aprendendo aos poucos a fazer as funções que poderiam ser feitas por outros profissionais.

Sobre algumas dessas questões eu tenho entendido como sendo parte da nossa narrativa, esse fazer artesanal, esse espaço de autonomia que lutamos diariamente para manter caminhando.

Djaelton contou-nos sobre como é fazer teatro em Arco Verde. Falou-nos de como o grupo foi importante para sua permanência dentro da cidade. Eis uma questão que bateu forte comigo, pois fazem sete anos que deixei minha terra natal, Viçosa – AL, para buscar outros caminhos, pois os pouquíssimos que tinham por lá começavam a se fechar. Houvesse uma política pública cultural dentro do nosso estado certamente eu teria ficado mais tempo em Viçosa, ou talvez não tivesse saído, mas enfim, as coisas nem sempre são como a gente imagina e também sou muito feliz de estar em Maceió e tendo a oportunidade de dialogar e construir o caminho do coletivo, coisa que talvez não acontecesse por lá, não dessa maneira, com essas pessoas e esse espaço cidade grande que tanto nos provoca.

Conhecer a trajetória do Teatro de Retalhos foi fortalecedor e inspirador.

A plateia participou, trouxe questões para dentro do painel, uma moça da plateia era de Arco Verde, mora aqui em Maceió agora, e emocionada nos contou a importância do Teatro de Retalhos na sua vida e formação. Ouvindo aquele depoimento emocionado, também reascendeu em meu peito muita esperança, porque no fim das contas a gente com esse nosso teatro está buscando chegar no coração das pessoas. É sobre afetos que falamos. O que nos afeta e o que afeta o todo.

O Festival me fez também entender que como coletivo somos sim empreendedores, estamos construindo pontes e caminhos o tempo todo para esse nosso ofício.

O Festival foi também um caminho que se mostrou como espaço de diálogo, trocas e fortalecimento.

Nós agradecemos a oportunidade!

Bruno Alves

22 julho 2018

Confluências SESC - AL: Primeiro Encontro das Águas




 Estamos entre os/as vinte artistas alagoanos(as) selecionados/as para participar do projeto “Confluências” do SESC.

Confluentes



Saiba mais sobre o "Confluências" clicando AQUI


 O “Confluências” é o encontro de 20 artistas de variadas linguagens para a construção de um projeto coletivo que surja do encontro e necessidade de todas as pessoas envolvidas.

O projeto é uma realização do Departamento de Artes Visuais do SESC, coordenado aqui em Alagoas por Kelcy Ferreira, e será divido esse ano em três encontros de imersão em pontos distintos do estado. Os encontros acontecem de forma bimestral e com duração de um final de semana cada um deles.

No entanto, as reverberações de cada uma dessas etapas vão se destrinchando em outros encontros ao longo do mês.

Tivemos nos dias 20, 21 e 22 de julho o primeiro encontro de “Confluências” e aconteceu na cidade de Marechal Deodoro.

Saímos de Maceió no final da tarde da sexta-feira em direção a Marechal Deodoro. Estávamos atravessando uma ponte que de um lado nos mostrava o mar e do outro a Lagoa Mundaú. A separação dessas águas e os pontos de encontro entre elas eram as primeiras confluências que se revelavam ali diante de nossos olhos.

Fomos direto ao Bairro de Taperaguá, uma comunidade histórica da cidade, com uma das igrejas mais antigas e também um dos moradores mais antigos da cidade bem ali ao lado de sua filha prestes a comemorar os seus 106 anos.

A Sociedade de Música Manoel Alves de Farias, uma orquestra que atravessa gerações, estava lá no meio daquela praça, se preparando para nos receber.



Kelcy Ferreira, coordenadora do projeto, nos alertava no início da jornada com algo como: “Prestem atenção na banda. Vejam como eles se organizam coletivamente”.

A banda ali diante da igreja, cadeiras organizadas naquele espaço para nos receber, as pessoas da comunidade que se aproximavam para ouvir junto conosco, o sol se pondo, o friozinho do início da noite...

Treinava meu olhar para perceber como se organizavam, como se comunicavam no silêncio e como estavam sempre a escuta um do outro e a serviço de um objetivo maior: a música.

Ao final sabíamos a história da banda, perguntávamos como aqueles jovens da comunidade faziam para entrarem ali, porque existiam somente três mulheres no meio daquela multidão de homens. O maestro colocava a história da banda, sua ligação com as bandas militares e seus objetivos. Muitas coisas foram provocadas nesse encontro. Muitas leituras se revelaram quando os “naipes” se encontraram.

Voltamos para a pousada onde ficaríamos o resto dos dias. A noite foi fluindo com encontros, reencontros e formas de afetos que foram se revelando.


Na manhã de sábado foi momento de falarmos o que nos moveu a estar ali, como víamos aquele momento e como foi vivenciar o encontro com a banda no Bairro de Taperaguá.



O encontro com a banda foi impactante para maior parte do grupo. A presença de apenas três mulheres na banda, as expectativas geradas de servir ao serviço militar nos jovens que ali tocavam, a homogeneidade e a disciplina oferecida causaram muitos questionamentos durante a conversa. Questões históricas de repressão, opressão também foram levadas em consideração, visto que até mesmo aquela antiga igreja foi construída como fruto de muita exploração, historicamente.

Naquela manhã já se revelavam em nossos discursos questões de gênero, representatividade, LGBTQI, raça, classe social, dentre outras, provocadas durante essa conversa e encontro com a banda.

Tivemos a presença de Kelcy, Nadja Rocha, Carol (do Departamento Nacional do SESC) e Mara Pereira como provocadoras e mediadoras de todos esses diálogos.

Mara ressaltava a importância de todas essas provocações e principalmente que no contexto atual em que vivemos com todas as discussões que são levantadas diariamente na nossa sociedade, essas leituras e inquietações iriam surgir, pois é impossível não aparecer quando todas essas questões são levantadas e principalmente quando as pessoas que ali estavam certamente estão envolvidas na desconstrução de muitos conceitos e preconceitos.

Tínhamos ao longo desse primeiro dia muitas provocações e principalmente questões como:

“O que vamos fazer?”

“Para quem vamos fazer?”

“Que contexto é esse que estamos vivendo e o que queremos produzir?”

“O que vamos querer afirmar e recusar?”

Seguimos orientados/as por Mara Pereira e Nadja Rocha para uma construção em quatro grupos de cinco pessoas. Tínhamos um pouco mais que uma hora para pensar juntos as seguintes questões:

1)      O que a gente identifica no cenário artístico alagoano?

2)      O que poderia ser potencializado ou não existir?

3)      O que falta?

As discussões em grupos renderam. Finalizamos o segundo dia com um passeio na praia.



Desaceleramos. 

Respiramos. 

Um outro dia logo chegaria e muitas questões talvez poderiam estar mais assentadas, ou não...

No domingo, nosso último dia, tínhamos algumas horas para apresentar nossas construções e entendermos as questões que foram levantadas pelos grupos.

Cada grupo apresentou seu tecido, sua construção, sua costura e em seguida começamos a conversar sobre as coisas que apareciam em comum naqueles trabalhos e a potencialidade de tudo aquilo que se revelava.



Questões de território, de relações com não artistas, de construção de espaços de diálogos artísticos e de gestão compartilhada e participativa se sobressaíram na roda de conversa.



Muitas questões explodiam. Muitas vontades. Muita coisa para se entender e processar. A ansiedade, o desejo de ver acontecer e a possibilidade que nos foi dada de construir o que quisermos agitou as nossas águas.



As coisas que ali se revelavam ou se mostravam urgentes, vieram conosco para casa. Para que pensássemos, refletíssemos e entendêssemos que lugar é esse que as águas estão nos levando.


Que perguntas temos para fazer ao estado em que vivemos?

O que nós queremos fazer?



Finalizamos o primeiro encontro com muitas questões para refletir e pensar ao longo da semana e dos meses que antecedem os nossos próximos encontros. Revelava-se ali um grande potencial de construção e principalmente de afetamentos. Estávamos ali, muitos de nós, juntas/os pela primeira vez. O desafio de pensarmos juntos um plano de ação artística dentro do nosso estado se revelou como um presente capaz de nos fortalecer e de reverbera grandes possibilidades dentro do espaço em que vivemos.

Temos diante de nós a possibilidade da construção de um projeto coletivo que diferente de tudo que vivenciamos é uma iniciativa que nascerá no formato e na maneira que desejarmos.

A água começou a correr.

Agora é seguir o fluxo,

escorrer,

atravessar os obstáculos,

infiltrar

e viver todas as confluências.