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24 dezembro 2016

CRÍTICA: Espetáculo "Volante" - Por Wanderlândia Melo

O Coletivo Volante
Espetáculo Volante-AL, Projeto SESC Palco Giratório 2016- Maceió- AL.
Por Wanderlândia de Melo Barbosa.

Resumo: O texto pretende entender o espetáculo Volante do Coletivo Volante sediado em Maceió Alagoas, que durante o Projeto Palco Giratório- SESC-AL foi convidado a representar o estado nessa programação de 2016. O texto também aborda uma síntese da trajetória do trabalho Volante. 

“De uma coisa eu tenho certeza, a gente nasce sabendo que 
vai morrer uma vez na vida, mas todo dia não.”
Volante, Coletivo Volante. 


Foto de Nivaldo Vasconcelos

Em 2014, em Maceió, produzindo o I Encontro de Palhaços de Maceió do Grupo Clowns de Quinta do qual atualmente faço parte, assisti um ensaio aberto do Volante espetáculo do Coletivo Volante com o ator Bruno Alves que também estava na programação, ensaio que o próprio Bruno Alves afirmava que era o primeiro trabalho do coletivo e também seu primeiro solo e que o espetáculo e ele estavam em processo de descobrir e experimentar possibilidades. 
Procurando o significado da palavra volante no Aurélio, descubro que: 1.V. voador. 2. Flutuante; ondulante. 3. Que pode mudar facilmente. 4. Transitório; efêmero. O Aurélio me traduz o que quero relembrar do ensaio aberto de 2014, para apresentação dois anos depois, no Projeto Palco Giratório 2016 edição Maceió- AL, entre esse dois anos pude assistir duas vezes esse espetáculo, onde percebo que o que foi alterado foi o cenário e consequentemente a encenação, o que antes possuía uma carroça enorme, na apresentação do SESC já não mais utilizada da forma que era. 
Para descobrir possibilidades para um espetáculo acredito que seja necessário praticar, e que se tenha oportunidade de experimentar em diversos espaços e/ou diversos públicos. E acompanhando o Coletivo com a ferramenta da página virtual e em conversa com o ator Bruno Alves, realmente foram diversos os espaços ocupados: Pátio, praças, quadras, beco e rua. 
Mas para edição do projeto, o SESC, dá um novo desafio a ser assumido pelo coletivo, ocupar um palco no modelo de Palco Italiano. E pela segunda vez o ator Bruno Alves declarou mais uma primeira vez, ter apresentado o espetáculo Volante em palco Italiano. 
Esse espetáculo tem três artistas, dois músicos e um ator, que juntos contam a história de um viajante, talvez um lunático, talvez um louco mas pra mim um poeta simples que nos vem pra contar suas história que verdade ou não foram vividas e isso já basta. 
A dramaturgia também de autoria de Bruno Alves, que relata que foi construída nas salas de ensaios e em ensaios fora de sala, onde os músicos com músicas, que não necessariamente está no espetáculo, foi um dos motes para a criação da mesma. 
Nesse percurso o personagem Severino, que não é Severino da rua de baixo, nem Severino de dona Maria só Severino, nos leva para lugares que hora está no passado, referente á história narrada, e hora nos traz para o presente, lugar do dialogo com a plateia. 
Caminhamos junto com Severino até o topo de uma montanha em busca do sol, para uma cidade de injustos consumidores de plástico; nadamos e provamos que precisamos repensar essa violenta maneira de querer resolver as coisas, com uma pecheira na cintura; e conhecemos Caetana que nem convidada foi, mas queria a desistência de quem acorda todos os dias na esperança de encontrar com a felicidade, que pode acontecer caso esteja em um baú em baixo de nós, mas como o enigma de encontrar a felicidade nunca é fácil então vamos evitando o encontro com Caetana. 
Entre o presente de Severino com o encontro com público e o passado historia narrada por ele é que encontramos em comum a música que antes mesmo de se tornar algo que complementar as histórias narradas, ocupando a pausa que há no silencio, ela é dialogo. O Severino enxergar os músicos e junto são cumplices, entre músicas e histórias narradas, chegam de povos em povos convencendo que aquilo tudo, aquelas prosas todas são verdades. 



A caixa cênica proporciona vários artifícios estéticos que por inúmeras questões que possa eu deduzir em relação á iluminação e o técnico, talvez o espetáculo (ou o iluminador, ou a produção do teatro), não tenham sido feliz em nos deixa sem ver o rosto de Severino, em momentos que o texto não era o suficiente, a música não era suficiente para falar o que o rosto de Severino nos falavam em meia luz. 
Existe um artista plástico chamado Bispo do Rosário, onde a estética do espetáculo me fez lembrar as obras dele, as cores. O figurino que me traz outras possibilidades de ser, a calça que ao avesso possibilita que outras linhas e costuras nos traga uma estética de não cotidiano. A personificação do mar, de Caetana que em cores opacas me leva aos lugares e a fantasias de forma confortante e bela. 
Espetáculo que aconteceu no dia 18 de abril no Teatro Jofre Soares, Maceió- AL ás 20:00, conquistando mais aliados para uma plateia de produções Alagoanas, onde de crianças a adultos, frequentastes ou não de casa de teatro, acredito que foi plantado uma semente para apreciações de produções locais, ou não locais. 


04 março 2015

Carta para Volante

Arte Gráfica: Estúdio Atroá

Atiro-me de olhos abertos nos braços de um sonho.
Haverá carroça que caiba todo o desejo que trago comigo?
Atiro-me e jogo para longe o medo e a insegurança de uma falha na hora de abrir o paraquedas. Não posso mais voltar. Saltei como águia que achou por muito tempo que era galinha, mas que lá dentro de si alguma coisa de águia existia, fosse a habilidade para o voo ou  fosse o não acostumar a ciscar num mesmo terreiro.
Ensaio de voo esse “Volante”.
Momento de me permitir acreditar nas escolhas que fiz ao longo desses últimos três anos, mas por que não dizer ao longo dessa vida?
Foram “dias de sim”, foram dias de “chuva e não” como nos títulos dos livros do poeta Sidney Wanderley.
“Habilidades de voo” é significado para “Volante” em dicionário da web. Então, eu fico pensando que cada pessoa deve ter dentro de si um desejo de liberdade, uma vontade de voar pra perto das coisas que as fazem felizes, deve ter um pouco de volante em cada um de nós quando saltamos em busca do desconhecido ou quando encontramos em nós “a força que nunca seca”.
“Que não tem residência fixa” me diz o web dicionário. Nessa vida habitei tantas casas, por tantos lugares fui habitado que uma vez numa ponte alguém havia riscado “Quantas cidades tenho em mim?”. Esse mover-se em busca de novas casas permite a gente ganhar tantas coisas, mas perder uma imensidão também, mas afinal nos diz Bishop que “a arte de perder não é difícil de dominar” (em tradução do Nivaldo). Como aceitar a perda? Como seguir se sentindo feliz por perder tanta coisa e imaginar que haverá lugares e pessoas que possivelmente nunca mais veremos? Como aceitar que o momento, o instante é único e que se perde logo quando acaba e que nunca irá se repetir do mesmo jeito, como aquele banho que nunca será no mesmo rio. Como perder um segundo de sorriso num dia cheio de lágrimas? Como perder e não achar viver uma tragédia?
Começo. Recomeço.  Reinvento. Digo sim de novo. Teimosia pelo sim. Sim mesmo no meio da fogueira. Sim mesmo no meio da cova dos leões. Sim, sim e sim! A vida pede “sim”!
Eu estou calado geralmente. Eu precisei me alimentar de silêncios para entender o silêncio e os barulhos de outros e os meus também, mas mesmo em silêncio é possível ter nos olhos um furacão e no peito um vulcão em erupção. Estou grávido. Estou parindo! Vou aguentar as dores do parto até o fim. Não sei dizer melhor se não for com teatro. Não sei ser melhor sem ele.
Atravesso o mar nesse tempo e quero continuar a viver um amor mesmo separado por milhas de sal. Perdoe a minha sede de querer beber do mar, mas é que de onde venho só tem serras, cachoeiras, rio e matas viçosas.
Experiência é correr risco, me ensinava o professor. Experiência é perigo! A difícil experiência de movimentar a vida dentro de si ao partir e ao chegar. Viajar sem sair do lugar em que as raízes estão. Experiência é travessia e para atravessar é preciso coragem de ir além do que esteve sempre perto, porque corremos riscos mesmo quando não experienciamos. Tempo de deixar as roupas velhas ou repagina-las. Chega tempo de botar a mão no Volante como faz meu Severino ou “Botar o barco pra frente” como me aconselha minha mãe de uma cidade do sertão alagoano que não tem rios, nem barcos.
Volante é salto, delírio, suspiro, coração acelerado, frio na barriga na montanha russa, é medo de bicho – papão, luta e guerrilha, batalha armada de peixeira na mão contra os moinhos de vento, moinhos de medo, moinhos de insegurança, moinhos que abalam a autoestima da gente.
Não posso mais voltar, porque “quem vai não volta nunca” me diz o andarilho. Fazer teatro é a minha possibilidade de viver e reviver memórias que me habitam e principalmente as memórias inventadas e entregá-las a quem quiser guardar, pois não se engane o poeta finge sim, senhor!
Não fala de mim esse texto, não fala de mim essa música, fala talvez um pouco de nós que somos um, nós somos uma legião espalhada pelo mundo, poeira do universo. Juntando novamente continentes, colhendo uvas para com os pés pisar e transformá-las em vinho amargo com gosto de terra, com gosto de vida.
É da água que essa peça quer falar, do fogo, do vento, da terra... Com os pés na terra esse homem caminha sobre as águas dos seus próprios medos.
Volante, volúvel ou mutável como nós deveríamos ser. Só quer ser feliz. Delírio de felicidade que alguns de nós perdemos pelo caminho.
Esse espetáculo é meu encontro com você. Nosso encontro no mundo. Experiência efêmera e eterna enquanto vivermos. Construção de castelo de memórias sem ninguém preso na torre. Porta do coração aberta, circulando com o vento por todos os lados, chovendo, encontrando a vida no ponto inicial que faz desse lugar o meio e melhor lugar do mundo, porque a gente continua a cada recomeço. Convido você a dividir comigo esse mundo em dois lados formados pelo passado e pelo futuro mais livre, mais leve...

Volante!
(Bruno Alves)

22 novembro 2016

Crítica: “Eu vejo a lua” – Um ator invisível em Volante

Por Gessyca Santos

Atrevo-me a começar de trás para frente, porque fiquei pelo avesso quando o assisti. E é dessa sensação que irei falar sem preocupação em expressar neste início de texto alguns aspectos informativos a respeito do espetáculo teatral Volante. Antes disso, escolho o vazio onde tudo acontece, onde a amplitude do espaço e tempo não nos deixa reduzidos ao real, mas nos engrandece nas irrealidades que nos fazem reais.

Foto de Nivaldo Vasconcelos

O começo era o fim e o fim era o começo. Aquela imagem sedimentou em mim. Era um rapaz de braços abertos, apoiados numa estaca de madeira que estava deitada sobre suas costas e enfeitada de fitas vermelhas. Ele vestia uma roupa com cor de tempo, desgastada e um pouco rasgada devido às suas aventuras de andarilho. Nele também existia um cheiro de mar e o vi transitar de água a passarinho num estalar de dedos. Pensei: Para realizar tal manobra, só com ajuda divina! Talvez por isso ele estivesse fazendo uma reza que tinha velocidade de furacão e temperatura de vulcão.
Com esse fragmento de uma existência efêmera, introduzo esta crítica que aborda o espetáculo Volante interpretado pelo ator Bruno Alves do Coletivo Volante, Maceió – AL, apresentado no dia 09 de março de 2016, às 20h, no Teatro Jofre Soares, integrando a programação da 19ª edição do Palco Giratório na etapa estadual do Sesc- AL. Direciono o meu olhar à força do imaginário em “Volante”, a qual tratarei também como caminho para a construção do que seria um “ator invisível”.
Com uma dramaturgia rica em detalhes, lugares e seres diversos, o espetáculo Volante aposta na simplicidade para nos fazer enxergar o invisível. Com o palco quase “vazio”, pude ver monstros, pássaros, mar, carroça, centauro, barco, janela... E tantas outras imagens. Pareciam mais concretas do que, talvez fossem, se estivessem reduzidas a elementos de cena que tentassem traduzi-las ou representá-las em sua complexidade. Pontuarei três signos que se metamorfoseiam durante o espetáculo, para desenvolver esta crítica, considerando o último pouco explorado em suas possibilidades de uso: composição cenográfica/adereço Caetana, tecido azul e bastão com fitas.
O que se vê ao centro do palco é o que considero uma composição cenográfica, composta por um espelho em formato oval, rodeado de flores, apoiado na parte superior de um apoio em vertical (bastão) coberto por um tecido fino, nos dando a sensação de tratar-se de uma figura feminina. Adiante, essa mesma estrutura é utilizada como um adereço, onde o ator utiliza-o a seu serviço, construindo uma espécie de mascaramento, uma vez que veste o espelho sobre sua face e se camufla entre os tecidos, nos trazendo a imagem da morte Caetana. Aqui, o ator some, não por estar camuflado, mas por se fazer invisível ao assumir outra qualidade de energia, movimento e voz, a meu ver, provocadas pelo mascaramento.
Uma rede de tecidos ligados um ao outro através de nós, de cor azul/ciano, vestia o corpo do ator para nos trazer a imagem do mar. Chamo atenção para um fator: Não era a representação do mar distanciada do corpo do ator, não se tratava de uma moldura ou um cenário fixo. O ator vestia o mar e aquele elemento utilizado já não era mais uma rede de tecidos, na relação com um corpo que se colocava em prontidão, comprometido com o imaginário, fazendo-se água, não poderíamos ver outra coisa se não o mar. O ator desaparece mais uma vez.
Do início ao fim do espetáculo, o ator utilizou um bastão onde apoiou os braços, logo se construiu a imagem do personagem em espantalho, não havia sequer um passarinho sobre os seus ombros, no entanto vi uma revoada! “O olho é a máscara e a máscara é o corpo” diz Lecoq, em Volante o olhar e o corpo do ator receberam esses pássaros em seus ombros e os viram voar, um corpo inteiro comunica por inteiro, então, neste caso estar utilizando o bastão/vara complementou a ação física, construindo a imagem do espantalho, mas a força estava na presença física do ator. Embora este elemento bastão, tenha sido bem utilizado em alguns momentos, como o citado, percebi ao longo do espetáculo que tal elemento se tornou um apoio, onde ora construía imagens, ora se tornava algo fixo, sem razão de estar ou limitado em suas possibilidades, talvez ele precisasse de mais descanso, deixando o corpo do ator fluir em diálogo com as particularidades de cada situação cênica. Considerar este ponto é abrir mão da imagem fixa de Severino com os braços presos ao bastão/vara.

Finalizo com um fragmento de Yoshi Oida. Em seu livro “O Ator Invisível” ele diz: “No teatro kabuqui, há um gesto que indica “olhar para a lua”, quando o ator aponta o dedo indicador para o céu. Certa vez, um ator, que era muito talentoso, interpretou tal gesto com graça e elegância. O público pensou: “oh, ele fez um belo movimento!” apreciaram [...] a exibição de seu virtuosismo técnico. Um outro ator fez o mesmo gesto; [...] o público [...] simplesmente viu a lua. Eu prefiro este tipo de ator: [...] O ator capaz de se tornar invisível.”

17 julho 2017

Prêmio Eris Maximiano: 1º Passo - Chã de Bebedouro

Volante de praça em praça...
Volante pela cidade!

Volante no dicionário quer dizer aquilo que voa, que tem facilidade de voar, que se desloca facilmente, que não tem residência fixa, que é mutável, móvel, lançado ao ar...

Maceió, a cidade que moro há seis anos, parece ser uma cidade feita para nos fazer parar, mas aqui dentro desse lugar começo cada vez mais a encontrar gente que se desloca facilmente, que é mutável, que mesmo morando aqui não possui residência fixa.

Falar de morada é coisa profunda, pois “onde está teu pensamento, lá está teu coração”, é bíblico isso, não é?

É.

E é bonito.

Vou contar um segredo antes de chegar ao assunto. Quando criança em Viçosa, até por volta dos meus dez anos de idade, morei em uma rua que tinha um grande campo, acabava virando um campo de futebol aberto a todo mundo da rua e é assim até hoje. O mesmo campo era o lugar de se armar as lonas dos circos que chegavam na cidade. Haviam épocas que eram de um lado o circo e do outro a galera jogando bola.

Nessa rua também, durante minha infância, fui vizinho de ciganos. Cresci nesse momento tentando me acostumar com as chegadas e partidas. Meus amigos ciganos e circenses da mesma idade que eu, vinham morar por lá e aos poucos fui entendendo que logo eles não estariam mais ali. O bom disso tudo é que quando se é criança não se pensa muito nessa coisa da partida. O importante era a gente brincando no terreiro: crianças circenses, ciganas e os que já viviam por lá, como eu. Crianças.  Até hoje uma coisa acende em meu peito quando vejo ciganos e quando vejo circo.

Mas essa história que eu contei agora não é só para ressaltar a coisa do nome “volante”. Tem muito mais a ver com o encontro que tive hoje.


Comecei na tarde desse dia 17 de julho a caminhar pela cidade para descobrir as pessoas que ressignificam esse lugar. Essa ida até os lugares é a primeira parte do projeto “Volante de praça em praça” que foi aprovado em 2015 pelo Edital das Artes Eris Maximiano da Fundação Municipal de Ação Cultural de Maceió- FMAC.

Irei visitar dez localidades para conhecer a comunidade, ser afetado pelo espaço, escutar, perceber, conhecer um pouquinho de cada lugar, me sentir pertencente a cidade e transformar isso em cena para o personagem do espetáculo. Assim, ele terá dez histórias de pessoas, ONG, Associação ou qualquer outra forma que exista dentro da comunidade de re-existência. A cada bairro visitado, o personagem contará uma história que trouxe do bairro em que esteve anteriormente. Os bairros conhecerão através dele uma história de um outro bairro da cidade.


Vou muito mais por precisar conhecer mais esse lugar. Meu peito ainda tem muitas resistências a essa cidade, tem dias que ela me sufoca e encontrar gente volante me ajudará a renovar meu olhar sobre ela.

Então comecemos essa jornada.

1º Passo – Primeiras Histórias

Estive na Chã do Bebedouro.

Fui até o mirante para ver o outro lado da cidade e escolher um lugar para apresentar o espetáculo.

Tenho um tio que mora por lá e quase morei quando vim para cá, mas “o amor leva a gente para o lugar que a gente tem que estar” e no meio da quase mudança eu me casei.
Homens sentados nos bancos do mirante jogando dominó. Contei dez, contei quinze e perdi as contas.

Um carrinho vendendo pipocas, guarina, cachaça e água de coco. Tomei guarina.
Duas escolas estaduais.

Um centro de apoio psicossocial.

Uma via principal com carros subindo e descendo o tempo todo.

Visão privilegiada a do mirante.
A lagoa Mundaú abraçava a minha vista. Estava frio. Pouco sol. Alguma chuva e um pôr do sol rosado, delicado como os encontros que tive hoje.

Queria encontrar a casa que foi de Mestre Benon em que brincou por muitos anos com seu Guerreiro Treme-Terra. Eu amo esse nome: Treme-Terra!




Eu lembro como era a casa. Um salão enorme colorido. Soube que após a morte do Mestre a casa ficou abandonada, uma parte foi demolida e o outro pedaço virou um bar.

Ao lado da casa de Mestre Benon existe um campo enorme como o que tinha lá em Viçosa. Haviam adolescentes e crianças improvisando um campo de futebol naquele espaço. Era um grande estádio de futebol.

De frente ao campo existe a Escola Estadual Jornalista Freitas Neto. Conversei com Valdimar e Adriana sobre o espetáculo e solicitei apoio para levar os estudantes a assistir.

Quando saí da escola sentei no mirante e de frente eu via um circo na frente da casa que foi do Mestre Benon. É realmente um terreno imenso.

Fiquei minutos sentado de frente para o circo olhando, sem pensamento exato algum na cabeça, eu estava ali apenas e resolvi entrar no circo.


Uma grande família trabalhava.

Roupas secavam no varal.

Um cachorrinho amarrado na corrente estava de frente a um dos ônibus/casa.

Alguém organizava o equipamento de fritar batatinhas, outro preparava a pipoqueira, do outro lado o carro de som anunciava o circo com entrada de R$5 e R$3 logo mais à noite.

Comecei a conversar com o dono do circo dizendo que pretendia apresentar o espetáculo no bairro mais adiante.

Conversamos por quase duas horas.

Meus olhos brilhavam ao ver aquele homem me contando a história do circo.

É o Circo Sandra (que recebe esse nome por conta de uma irmão sua) fundado por seu pai em 1948 na cidade de Colônia de Leopoldina - AL. É um dos circos alagoanos mais antigos do estado.

Ele e seu irmão Everaldo nasceram e cresceram debaixo daquela lona.

Ele me dizia que aquele era o lugar que se sentia mais protegido. Dentro dessas lonas existia um porto seguro, por fora uma cidade difícil.

Havia muito amor ali. Eu me sentia protegido dentro daquelas lonas. Havia uma outra Maceió naquele lugar.

Falou-me das dificuldades encontradas ultimamente para poder instalar o circo, das cobranças inúmeras de taxas da prefeitura e do constante assédio que sofrem com ameaça de serem despejados. Para se ter noção, a prefeitura cobra para eles as mesmas taxas que cobram a esses grandes circos que passam pela cidade. A diferença é que o grande circo, além de ter patrocinadores, cobra um valor alto e eles não podem cobrar um valor mais justo mediante o próprio público da região que não teria condições de pagar para assistir.


Ouvi muitas histórias do circo.

Contou-me que uma vez o vento veio e derrubou a lona. Contou-me que por ali todos crescem fazendo e se descobrindo em várias funções, inclusive ir para a portaria e vender as guloseimas.

Seus dois filhos hoje são palhaços. Preparavam as roupas. Iam de um lado para o outro.

Reclamou-me da precariedade e da falta de incentivo, mas eu via em seu olhar e em seu discurso o quanto o amor por sua arte era maior que tudo isso. Eles estavam ali de pé, mesmo que a ventania aparecesse para derrubar a lona. Eu via a arte e a vida de mãos dadas.
Logo eles sairão de lá. O susto maior veio quando ele me informou que não retornaria a armar sua lona ali. “Vão construir uma delegacia”.

Fiquei pensativo com essa informação, porque nesse nosso tempo é muito mais valioso investir em delegacias e presídios do que fomentar a cultura e dar acesso as pessoas de terem possibilidades e inspirações para viver. Mais uma delegacia e o risco de termos um espaço a menos de cultura e riso.

O circo vai procurar outro bairro na cidade, outro terreno, antes que sejam cada vez mais escassos os espaços e que só existam prédios e prisões.

Terminei o dia na beira do mirante vendo o sol se pondo e pensando em tudo que foi vivido nessas horas. Deu vontade de ficar mais tempo, de ouvir mais, mas já era o suficiente para o nosso encontro.

Eu vi mãos que levantam lonas em terrenos secos. Corpos que arrancam risos em espaços que aos olhos do estado só servem para levantar prisões.

Voltei para casa mais forte, apesar do baque com as condições que o circo enfrenta. Forte por ver vida e ver vida cheia de poesia e beleza, “belo como o coqueiro que vence a areia marinha”.


 Nós não estamos sós nesse mundo. Nós somos muitos! 

Bruno Alves

Esse projeto foi contemplado com o Prêmio Eris Maximiano de 2015.

24 dezembro 2015

"Volante" em Taquarana - AL

O ano está acabando e a última apresentação do espetáculo “Volante” aconteceu na cidade de Taquarana que fica a aproximadamente 120km de Maceió. 
Foi a última apresentação do ano. Somando a 19° vez que o espetáculo percorre seu caminho e a segunda vez que saio de Maceió para encontrar as pessoas ( a primeira foi para a Aldeia Wassu Cocal na cidade de Joaquim Gomes - AL).
Estava acontecendo na cidade a Semana de Arte da Escola Estadual Santos Ferraz, organizada pelo diretor da escola e também ator Igor Rozza.
Fiquei bastante feliz com o convite de Igor, pois essa Semana de Arte acontece anualmente na escola e sempre quis conhecer de perto esse trabalho que ele realiza. 
Na Semana de Arte xs estudantes envolvem a comunidade nos resultados de suas pesquisas e produções artísticas que vivenciam dentro da sala de aula.
Cheguei a cidade pela manhã e assisti a apresentação dxs estudantes do 1° ano do ensino médio. Traziam uma versão performática da peça infantil “A Fada que Tinha Ideias”. Agora a peça já não era infantil, pois trazia questões da própria idade daquelxs que atuavam. Eram atuadores. Eu via naquele pátio o protagonismo em cena e os aplausos no final eram um agradecimento pelo conhecimento compartilhado.

Estudantes em cena

Às 11h realizei uma conversa - "palestra" sobre “Teatro na Contemporaneidade Alagoana” para um público de quinze estudantes pré-inscritos (a semana possui uma variedade de palestras e trocas  oferecendo vagas para os interessados). Partilhamos naquela sala as mudanças no teatro ao longo da história, as mudanças do texto, da ausência dele, das novas formas de dramaturgia, dos diferentes processos de criação, dentre outras questões e por fim fui relacionando com a apresentação que acabávamos de assistir, trazendo também nome de grupos e artistas de Alagoas que representam muito bem as mudanças do teatro nas últimas décadas.
Eram afiadxs xs estudantes. Traziam questões que só quem despertou a curiosidade era capaz de trazer. Para mim não foi surpresa, pois as aulas de Igor são de uma dinâmica capaz de mover a escola e toda sua comunidade, não é a toa que a Semana de Arte existe e resiste.

"Teatro na Contemporaneidade Alagoana" 


Diálogos

Na tarde a programação teve inicio com a apresentação do espetáculo “Sonho” da Cia Insanos – Camboio de Doido da própria cidade. Igor Rozza e Raquel Vieira traziam para a cena elementos do “Teatro do Absurdo”, da estética de rua, poesia e muito humor.

Cia Insanos apresenta "Sonho" 

“Volante” apresentou-se em seguida no mesmo pátio das ações. Público pronto e atento para a experiência teatral. Era um público que costuma apreciar teatro e fazer também. Igor nos dias que antecederam a apresentação preparou seus estudantes, fez uma mediação teatral.
Foi uma apresentação especial por muitos motivos. Essa fecha o ano de 2015 e marca a segunda saída de Volante de Maceió.
Foi importante para o meu aprendizado ter aqueles olhos atentos e envolvidos nas cenas.
Em 2016 “Volante” volta a circular pela cidade de Maceió através do Prêmio Eris Maximiano da Fundação Municipal de Cultura de Maceió. Vem por aí uma versão que foi se consolidando ao longo das 19 apresentações. Em 2016 a experiência será resultado de todos esses encontros e certamente encontrará novos caminhos volantes.

Evoé!


Bruno Alves

(As fotos da apresentação de "Volante" postarei em breve)

Mais registros:






28 março 2015

(Diário de Estreia) Longa vida a “Volante”!

Estreamos!
Respiro e solto o ar como um uivo guardado dentro do peito.
Estrear é fácil. Difícil é o caminho que antecede a estreia.
Agora que o filho está solto no mundo é tempo de ensiná-lo a andar com as próprias pernas. Como um bebê que precisa caminhar e entender que a vida anda correndo.
“Volante” meu filho querido, cordão umbilical que se desgruda de mim e se enterra no solo fértil de algum lugar do mundo.
“Você precisa cortar o cordão umbilical” me dizia mestre Ronaldo Aureliano ainda quando morávamos em Viçosa.
“Você precisa dar a cara pra vida bater” me dizia o poeta viçosense no banco da praça.
Estrear é dar a cara pra bater, mas bate com cuidado, meu amigo! Por que a vida às vezes fere, espanca!
Estávamos lá diante daquela plateia amistosa de veteranos e calouros do curso de Teatro Licenciatura da UFAL, havia também amigxs e pessoas alcançadas pela divulgação. O espaço cênico foi um corredor do Espaço Cultural da universidade, lugar melhor e aconchegante para esse momento não haveria.
Fotografia de Nivaldo Vasconcelos - Estúdio Atroá

Passamos as últimas semanas entendendo o espaço, experienciando dentro da sala fechada, do pátio e outros. Era preciso entender onde iríamos encontrar o público pela primeira vez. Não poderia ser numa sala fechada, mas em outro momento poderá e por que não? Volante é o que se move e não tem residência fixa, sendo assim, todo lugar será um palco.
Estrear num dia 19 de março de são José/Xangô Aganjú foi uma oportunidade de se sentir acolhido pelo olhar das pessoas presentes e entender ao longo desses dias que passaram as questões mais gritantes na peça. Pois é! Estreia não deixa tudo lindo, pelo menos para nós que fazemos, porque é o momento de avaliarmos o que realmente funcionou das coisas trabalhadas na sala de ensaio. Isso não quer dizer que as coisas devem ser drasticamente modificadas. Na estreia identificamos fragilidades e potencialidades que muitas vezes podem até passar despercebidas aos olhos do público. Confesso que isso me faz refletir sobre o processo, sobre os ensaios e sobre cada público, pois afinal cada pessoa recebe de uma forma diferente as coisas e o que toca alguém pode não tocar outra pessoa. Somos múltiplos, somos diferentes e nossa história particular reflete muito na hora em que apreciamos e vivenciamos uma experiência teatral.
É esse momento também uma oportunidade de pensar o futuro do espetáculo e os palcos que ele poderá percorrer. É tempo de encontrar o ritmo, a respiração, o olhar, treinar o olhar e o ouvido e de avaliar principalmente a sustentabilidade do espetáculo e a do artista,  enquanto ser que deseja viver- se sustentar- do que mais lhe faz feliz.
Estreamos!
Estamos prontos para caminhar e o caminho se faz caminhando. Aí está o nosso filho, tal qual como educamos e descobrimos na sala de ensaio. Estou feliz pelo caminho percorrido. Pela oportunidade que me dei de por a mão no volante e fazer as coisas acontecerem. A gente tem que se permitir!
Que venha muito teatro em 2015! Esse é o meu desejo!
Longa vida a “Volante”!

 Evoé!


Bruno Alves

06 setembro 2017

Eu, Severina. Por Lili Lucca



Somos muitos Severinos
iguais em tudo e na sina:
a de abrandar estas pedras
suando-se muito em cima,
a de tentar despertar
terra sempre mais extinta...
João Cabral de Melo Neto
Fui ver Volantes, encontrei Severino. E Severino, nos veio com uma conversa cheia de voos. Sim ele é um volante, assim intitulado pelo Bruno, eles tem capacidades de voar e pousar. O Pontal é um dos lugares mais encantadores da capital, já fico em outro estado com tanta poesia que ali habita, a gente desacelera e acalma quando chega o balançar da vida é outro. E batendo palmas, como se estivesse a nossa porta, pra pedir uma água, pra fazer uma pergunta, iniciar um diálogo, Severino se apresenta falante e contente.
Creio que é há sina de todo artista caminhar, sempre em busca de algo, em busca do desconhecido, de sonhos, de vidas, e escavamos todas as possibilidades do nosso ser, precisamos estar em vigia na vida. E Severino começa assim sua caminhada com uma carroça de fitas, pega por onde passa seus elementos que trazem suas memórias, e nelas emoções, medos, alucinações, lições e afetos. E nessa empreitada de andar e encontrar, ele quer o que todos mais querem. A FELICIDADE. E cheio de fé ele nos anuncia e nos pergunta incessantemente.
Onde tá a felicidade? Vocês sabem onde tá a Felicidade? Onde eu acho a Felicidade?
Tem palavra trocada que até hoje é presente na vida da gente, creio que essas são aquelas que atravessam a alma e nos marcam pra sempre e nessa conversa com Severino, nos identificamos. O incansável andarilho sonhador, que pinta o rosto e carrega histórias na carroça encontra com a morte, se ela é real ou não,não interessa ela o desafia e ele como nós jamais desiste da vida e do que ela nos propõem a todo instante. Felicidade.
Embaixo do nosso nariz, em cima da ponte, do nosso lado sentada no sofá, ou dentro de um baú. Sua sina é procurar a bendita felicidade. E quem todo dia não levanta espiando os cantinhos da vida a sua procura?
"Ao caminhar por certas ruas e usar seus lugares públicos, o homem cria suas próprias histórias e mitos; seus passos tornam-se a fala da língua da cidade.Nesse sentido, o espaço não é um lugar definido ou fixo, mas um não-lugar, que se torna vivo através da re-apropriação dos lugares praticados."Cabral.Biange
Volante é aquele que pode ser transportado pra qualquer lugar, assim se realiza essa conversa com Severino, em meio ao seus contos conversamos com nós mesmos. O que mais encanta em Volante é que é um conversa sincera, tem fragilidades sim, mas quem de nós nessa vida não as tem, penso que elas vão no andar do Severino se fortalecer e criar sempre um novo tempo de cena pra ele. Ele que tem muito a contar e receber por onde passar. Espero ir novamente ao seu encontro, anseio que Severino precise de outros espaços, por isso cito Cabral acima. Mas com ou sem a felicidade quero estar presente na busca de me ver novamente na sua cena. Bruno to aqui pra conversar mais da sua cena e avise Severino que espero que ele encontre a felicidade que nos traz.
Por _ Lili Lucca
Volante de Bruno Alves Atuação e Dramaturgia: Bruno
Direção: Nivaldo Vasconcelos Maquiagem e
Produção: Rayane Wise
Figurino e Adereços: Fernanda Vasconcelos, Bruno Alves e Nivaldo Vasconcelos
COLETIVO VOLANTE


04 outubro 2019

Povoado Riacho: Espetáculo Volante - Registro e Agradecimento

Em maio de 2019, eu e Nivaldo Vasconcelos, nos mudamos para o Povoado Riacho em São Miguel dos Milagres, interior do estado de Alagoas. Vim por que comecei a dar aula na cidade vizinha, Porto de Pedras, mas foi no Riacho que decidimos morar.



No meio desse turbilhão de coisas que estão acontecendo no Brasil nesse ano em que vivemos, estar no Riacho foi e está sendo uma forma de se fortalecer, de estar mais perto das pessoas, de encontrar formas de criar ações de resistência e re-existência.
Com a nossa vinda trazemos uma parte do Coletivo Volante de Teatro para essa nova morada. Nossos amigos e amigas que compõem e fazem parte do coletivo estão em Maceió e  estamos nos entendendo como funcionaremos com essa distância geográfica que nos separa de alguma maneira. É certo que encontraremos formas de mantermos nossos diálogos e construções nessa nova fase, mas é sobre essa nova fase que gostaria de escrever a vocês.


Hoje, dia 04 de outubro de 2019, apresentamos o espetáculo "Volante" aqui dentro do povoado, no terreiro, embaixo de uma mangueira. Foi a primeira vez que nós, como coletivo, realizamos essa ação. Agora eu não quero parar.


Volante é um solo de teatro. Deu origem e nome ao coletivo. É sobre sair do lugar em que está. É simbólico como "O Louco", arcano do tarô, que se desloca, que está iniciando uma jornada. É com "Volante" que me proponho a continuar essa jornada teatral e iniciá-la por aqui e quantas vezes for preciso.

Toda a vizinhança se mobilizou para que essa história acontecesse na tarde de hoje. Dona Teresa nos ajudou a varrer o terreiro, a Biu trouxe um tapete para forrar no chão, o Yuri e o Otávio ajudaram na montagem e desmontagem das coisas, a Lari esteve perto o tempo todo, Nivaldo fez essas fotografias, as crianças cuidaram na divulgação de porta em porta.


Por aqui as coisas funcionam dessa maneira. 

Por aqui o sentido de comunidade se revela de uma maneira muito prática, seja acolhendo uns aos outros, seja se preocupando e cuidando para que todos estejam bem com uma palavra, uma comida, um remédio, etc.

É esse sentido de comunidade que venho redescobrindo por aqui e isso se revela diariamente nos mínimos e máximos gestos.

Tenho me sentido em casa no mundo e não poderia retribuir a todo esse amor e acolhimento se não fosse com o teatro.



Desde que saí de Viçosa e fui morar em Maceió, refletia sobre essa relação de teatro e comunidade. Agora isso começa a acontecer, a continuar, a se reconfigurar de outras formas e encontros.

Se você já veio a Milagres, famoso roteiro turístico e de casamentos luxuosos, certamente você pode não ter conhecido o Povoado Riacho, estamos nós do lado oposto do turismo, do luxo e do glamour e por aqui a vida se faz na pesca, na caça, no plantar, colher e compartilhar. 



É sobre compartilhar que quero te dizer. É sobre trocar com o outro. É sobre ser gente no meio de toda a gentrificação ao redor.

Se você amiga e amigo um dia quiser vir por aqui compartilhar a sua arte, será muito bem vinde. A casa é pequena, mas o coração desse nosso lugar é imenso e você se sentirá amade por todas as pessoas que moram aqui.

Hoje foi a primeira apresentação. Pretendemos realizar pelo menos uma vez ao mês com as ações no terreiro. Quero e estou buscando poder um dia ter um espaço por aqui, mas por enquanto, temos o terreiro, temos as matas, temos as areias da praia, temos o mar, temos muito espaço, não é não?

Hoje as crianças já começaram a perguntar quando será a próxima atração e eu espero poder contar com você um dia aqui.



Então, hoje é dia de agradecer, porque nos reunimos, estivemos juntos, rimos juntos e isso é valioso.

Gratidão a toda comunidade que se mobilizou para estar junta nessa tarde.

Bruno Alves