Mostrando postagens com marcador Coletivo Volante. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Coletivo Volante. Mostrar todas as postagens

09 dezembro 2019

Críticas da Aldeia Maceió na Revista #Textão 8!

Você participou da Aldeia Palco Giratório do SESC - AL que aconteceu em Maceió em maio desse ano?
Então vem conferir as críticas que rolaram por lá!
Felipe Benicio, Joelma Ferreira e Lili Lucca do Filé de Críticas teceram olhares sobre os espetáculos que passaram por lá e está tudo registrado na #Textão 8!
Veja AQUI!



02 fevereiro 2016

Oficina Barracão Teatro - Dia 2



Tiche nos invade.
Invasão anunciada, prometida, permitida e necessária.
O encontro começa com a sua serenidade transbordando aquela sala.
 Ela é serena, mas forte como um vulcão.
Não temos tempo a perder com mentiras. Quer de nós aquilo que podemos dar. Quer o de mais concreto, real e visível que podemos alcançar.
" não sei da história de vida de vocês, mas sei do que eu vejo e posso tocar". Isso a interessa nessa manhã. Isso a move a provocar em nós uma reflexão.
Aquecemos. Percebemos o nosso corpo no espaço.
"Não há senhor de escravos quando não existem escravos. Não há senhor que comande quando não existem os comandados", dizia e nem precisava explicar mais nada.
Nada nos aprisiona naquela sala. Nada limita o nosso eu que explode de medo.
Eu tremo. Tremo o corpo. Não consigo controlar a respiração. A perna treme. A língua treme querendo gritar. Ela se aproxima do meu ouvido e me pede para liberar a energia:
"Tremedeira é energia presa. Libere".
 As correntes começam a cair. Len-ta-men-te. O fluxo da respiração alcança o corpo todo. Não há corpo escravo da mente. Há corpo querendo ser livre.
OBJETIVA essa mulher!
Não quer devaneios, justificativas ou suposições. Quer o que há de mais concreto e visível que se mostra em nós. Aquilo que podemos ver, mostrar e que nada pode esconder.
Tiche vai direto ao ponto. Nos apresenta as mascaras neutras para que possamos usar e por incrível que pareça a máscara não nos esconde, mas nos mostra e liberta. 
Tiche põe máscaras em nosso rosto para revelar a nossa alma.
Sinto-me despido em muitos momentos. Eram fragilidades e falta de coragem expostas naquela lugar.
Eu não sei. Eu não consigo fazer isso, mas ela me avisou que esse momento chegaria, que eu erraria, porém isso era um passo para encontrar o acerto.
Presença de calma....
Ela quer saber de humanos. Gosta de gente e a máscara ajuda a revelar muito de nós.
Isso dá medo. Isso apavora! Se encontrar diante de todos mascarado revela a nossa condição humana.
" isso é falta de coragem. Termina as coisas, os movimentos...Sem medo de errar" ela me disse durante a minha demonstração.
Desconcertado mais um dia. Estou em busca de um concerto? Não! Busco uma sensação verdadeira, a mínima que seja, cheia de verdade e liberdade não provada antes.
Ela não tem medo.
Tudo poderia ser mais leve se eu me permitisse aceitar a vida em sua fragilidade e plenitude de falhas.
A gente sai da oficina e permanece no estado de silêncio  procurando deixar o corpo entender tudo que foi vivido. 
"Me deixa entrar!" Ela dizia pedindo pra não racionalizar o que poderia ser simples e leve.
Tiche tem me ensinado a errar.
 Errar sem medo, sem culpa. 
Errar com coragem e ousadia.
Saímos. 
Terminamos a tarde (Rayane, Gessyca, Michele, Pedro e eu) numa mesa tomando cerveja e chorando, rindo... Deixando o corpo falar sem medo.

Bruno

25 novembro 2015

Volante '18

 O espetáculo "Volante" chegou ao Bairro do Pinheiro em Maceió e foi apresentado na Praça Arnon de Mello na noite de hoje.


 Um público mais que especial para mim. Composto por estudantes da Educação de Jovens e Adultos da Escola Municipal Edécio Lopes. A turma é coordenada pela professora Jaqueline Leite Vaz.
 No segundo semestre de 2014 realizei com elxs o meu estágio final no curso de Teatro Licenciatura da UFAL com a orientação da professora Nádir Nóbrega.
 O estágio tinha como objetivo a escrita de um texto teatral a partir da oralidade e da experiência de vida de cada um. O texto recebeu o titulo de "O Interior das Minhas Águas Presentes". 
 Foi desafiador, porque na época uma parte dos estudantes estava começando a ler e a oralidade e visualidade foi de grande importância para tecer o texto final que foi lido pela professora e eu em nossa confraternização na escola.
 Voltar e encontrar aquelas pessoas estudando e encontrando novos caminhos para as suas vidas é sempre gratificante e fortalecedor. Hoje elxs tiveram a oportunidade de me ver atuando e conhecer o teatro que tanto falei em sala de aula.
 "Volante" acontece fora do edificio teatral e isso os chamou bastante atenção, por verem na prática um espaço que sempre percorrem sendo transformado em palco.
 Suas filhas e filhos estiveram presentes, como estão também na maioria das aulas, afinal essas pessoas trabalham o dia todo e tiram a noite para recomeçar seus sonhos e muitas vezes não tem com quem deixar as crianças.
 O encontro modifica a minha vida e encontrar com elxs mais uma vez me dá força e alegria para continuar esse teatro volante.
 Que "a força que nunca seca" permaneça em nós, viva e presente mesmo quando não a percebemos.
 Eu agradeço pela noite, pelo encontro sempre tão renovador e fortalecedor.
Abraços
Com carinho,

Bruno

Segue um registro desse momento.











Registro da professora Jaqueline:











07 outubro 2015

Teaser Episódio VII "Texto Ex Machina"

Assista ao teaser do episódio VII!
No ar amanhã, 08-10, às 20h na página do Coletivo Volante.

https://www.facebook.com/coletivovolante/videos/1035638419809126/




"Texto Ex Machina" A Máquina Virou!

A máquina virou!



“Texto Ex Machina” chega ao seu episódio VII e desafia a nós que nos permitimos brincar com as palavras e imagens.
O jogo virou!
Agora é hora de inverter os papéis e criar possibilidades de diálogos entre quem constrói uma dramaturgia para as telas e quem a constrói para um palco.
O texto escolhido para esse episódio quebra e vira a mesa da proposta dos textos inéditos e de dramaturgos do nosso tempo. Voltamos a William Shakespeare, porque revisitar o “passado” se faz necessário nesse caminho a se trilhar.
O cenário continua sendo o mesmo: a nossa casa.
Os recursos são os que por aqui existem e possibilitam experienciar uma construção com lanternas e luzes de vela.
O dramaturgo vira diretor e fotógrafo. 
O diretor e fotógrafo da série agora vive a experiência de estar diante da máquina buscando um diálogo e uma reconstrução poética, maldita e volante como todos nós!


EPISÓDIO VII 
(Especial: A MACHINA VIROU)
Texto: Macbeth, de Shakespeare
Leitura: Nivaldo Vasconcelos
Direção e Fotografia: Bruno Alves
Montagem: Nivaldo Vasconcelos
Uma realização:
Coletivo Volante
Estúdio Atroá

Assista aqui:


04 agosto 2015

Diálogos "Texto Ex Machina" - As Ruínas por Bruno Alves

O texto "As Ruínas" começa a nascer em meados de julho de 2015. Tudo muito recente como quedas e abandonos. 
É um texto em processo de construção, aliás, esses textos que por aqui aparecem estão em processo, frutos de estudos, pesquisa e experimentação. Prédios caem, são abandonados, vilas são demolidas... Transportar para essa personagem um olhar sobre as coisas que caem diante de seus olhos é a minha possibilidade de refletir e comunicar mediante a minha impotência diante de tantas coisas. Prédios caem, histórias são demolidas. 
No segundo episódio de "Texto Ex Machina" tenho a oportunidade de ver esse texto acontecer no corpo e no coração de outras pessoas, por sinal, pessoas queridas e admiradas: Louryne Simões e Jadir Pereira do Teatro da Poesia são companheiros de estudos em oficinas da vida e mais recentemente no Grupo de Estudos e Escrita de Dramaturgias. Sou grato pelo olhar sempre atento e disposto a partilhar que eles me trazem; O Igor Rozza da Cia Insanos - Camboio de Doido (sim, é assim que melhor definem este grupo as pessoas de Taquarana -AL) conheci no curso de teatro licenciatura da UFAL, partilhamos muitas histórias, partilhamos o mesmo palco. Igor é esse ator que não tem medo de vivenciar as coisas e em sua cidade é símbolo de mobilização e aproximação da comunidade com a arte. Tê-lo por perto é sempre uma oportunidade de rir e aprender. 



Estávamos aqui em casa querendo reconstruir essa ruína que nos incomoda.
O processo do projeto acontece de forma autônoma e independente: Os atores e a atriz recebem o texto. Trazem sua leitura junto com a voz, o corpo, o olhar e todo o gesto. Quando entrego o texto a Nivaldo Vasconcelos vai junto toda a liberdade de releitura da obra. Ele possui uma leitura técnica que não domino e por isso penso que a liberdade de criação é muito importante para que um novo objeto de arte surja. O texto passa a ser dele. Ele faz com ele o que quiser. Nossas leituras vão se encontrando, o texto é ponto de partida, nunca o final. Existe nesse texto uma busca por uma construção narrativa. O nome da personagem não é coincidência, vem de leituras feitas a algum tempo da obra de Plínio Marcos. 
Encontrar as obras de Martin Crimp ao longo dos Estudos e Escrita de Dramaturgia, orientado por Vinicius Souza (MG), me chocou. Balançou minha cabeça e me encantou. Uma dramaturgia que narra, que não sabemos a linha que separa de um conto, de uma contação. Atores são contadores de histórias. Todo mundo de alguma maneira seja na porta de casa ou pelo celular, conta uma história no dia a dia. 
Essa busca por narrar ou analisar acontecimentos é uma marca cada vez mais presente em nossa dramaturgia. E por que não experienciar? Esse segundo episódio me deixa feliz. Deixa- me confiante e querendo aprender cada dia mais. Esse processo me encanta. Somos pessoas diferentes e com leituras diferentes querendo encontrar uma comunicabilidade através da arte. 
"Texto Ex Machina" é esse encontro de gente de teatro com gente de cinema, gente que respira o tempo todo uma coisa só: Arte! Arte! Muita arte nessa vida, porque é preciso.
Bruno Alves
Assista ao segundo episódio de TEXTO EX MACHINA, uma websérie que pretende explorar e buscar relações entre o texto teatral e a linguagem audiovisual

Assistam em HD!
https://www.facebook.com/coletivovolante/videos/vl.1682563795307314/999674193405549/?type=1&theater
Texto - As Ruínas (trecho) de Bruno Alves
Leitura - Louryne Simões, Ígor Rozza e Jadir Pereira
Direção, fotografia e montagem - Nivaldo Vasconcelos
Assistência: Matheus Nobre e Bruno Alves
REALIZAÇÃO
Coletivo Volante
Estúdio Atroá


Os episódios de TEXTO EX MACHINA estarão quinzenalmente na Página do Coletivo Volante.
Próximo episódio: Quinta, 13 de Agosto às 20h.
Primeiro episódio aqui:
https://www.facebook.com/coletivovolante/videos/994968943876074/?pnref=story
Texto - Domesticáveis (cena 1 - A Faca)
Texto e leitura - Bruno Alves
Direção, fotografia e montagem - Nivaldo Vasconcelos

19 março 2015

Estreamos (Revista Digital)

Amigxs!
Hoje foi um dia especial para nós. Dia de mostrar ao público presente aquilo que preparamos longe de seus olhos.
Para celebrar esse 19 de março o Estúdio Atroá preparou um presente para nós do coletivo e para vocês que por aqui acompanham e desejam saber mais sobre o processo.
Reuniu em uma revista digital as fotos do começo do processo ao que chegamos hoje com fotografias de Nivaldo Vasconcelos e Nathaly Pereira.
Gostei bastante do resultado e principalmente do carinho, sensibilidade e cuidado que o Estúdio Atroá tem dedicado em construir um registro visual para partilharmos e guardarmos em nosso portfólio.
Clica no link e viaja conosco por esse coração Volante!
Evoé!


http://www.youblisher.com/p/1099816-As-Fotos-de-Volante/



Evoé


Vem encontrar Volante!
Estreia Hoje!


Estúdio Atroá - Design Gráfico


Estúdio Atroá - Design Gráfico

18 março 2015

É HOJE!

Chegou o grande dia! 
Que os deuses do teatro nos acompanhem!
Que comece o caminho desse andarilho.
Evoé! Evoé! Vida longa!




04 março 2015

Carta para Volante

Arte Gráfica: Estúdio Atroá

Atiro-me de olhos abertos nos braços de um sonho.
Haverá carroça que caiba todo o desejo que trago comigo?
Atiro-me e jogo para longe o medo e a insegurança de uma falha na hora de abrir o paraquedas. Não posso mais voltar. Saltei como águia que achou por muito tempo que era galinha, mas que lá dentro de si alguma coisa de águia existia, fosse a habilidade para o voo ou  fosse o não acostumar a ciscar num mesmo terreiro.
Ensaio de voo esse “Volante”.
Momento de me permitir acreditar nas escolhas que fiz ao longo desses últimos três anos, mas por que não dizer ao longo dessa vida?
Foram “dias de sim”, foram dias de “chuva e não” como nos títulos dos livros do poeta Sidney Wanderley.
“Habilidades de voo” é significado para “Volante” em dicionário da web. Então, eu fico pensando que cada pessoa deve ter dentro de si um desejo de liberdade, uma vontade de voar pra perto das coisas que as fazem felizes, deve ter um pouco de volante em cada um de nós quando saltamos em busca do desconhecido ou quando encontramos em nós “a força que nunca seca”.
“Que não tem residência fixa” me diz o web dicionário. Nessa vida habitei tantas casas, por tantos lugares fui habitado que uma vez numa ponte alguém havia riscado “Quantas cidades tenho em mim?”. Esse mover-se em busca de novas casas permite a gente ganhar tantas coisas, mas perder uma imensidão também, mas afinal nos diz Bishop que “a arte de perder não é difícil de dominar” (em tradução do Nivaldo). Como aceitar a perda? Como seguir se sentindo feliz por perder tanta coisa e imaginar que haverá lugares e pessoas que possivelmente nunca mais veremos? Como aceitar que o momento, o instante é único e que se perde logo quando acaba e que nunca irá se repetir do mesmo jeito, como aquele banho que nunca será no mesmo rio. Como perder um segundo de sorriso num dia cheio de lágrimas? Como perder e não achar viver uma tragédia?
Começo. Recomeço.  Reinvento. Digo sim de novo. Teimosia pelo sim. Sim mesmo no meio da fogueira. Sim mesmo no meio da cova dos leões. Sim, sim e sim! A vida pede “sim”!
Eu estou calado geralmente. Eu precisei me alimentar de silêncios para entender o silêncio e os barulhos de outros e os meus também, mas mesmo em silêncio é possível ter nos olhos um furacão e no peito um vulcão em erupção. Estou grávido. Estou parindo! Vou aguentar as dores do parto até o fim. Não sei dizer melhor se não for com teatro. Não sei ser melhor sem ele.
Atravesso o mar nesse tempo e quero continuar a viver um amor mesmo separado por milhas de sal. Perdoe a minha sede de querer beber do mar, mas é que de onde venho só tem serras, cachoeiras, rio e matas viçosas.
Experiência é correr risco, me ensinava o professor. Experiência é perigo! A difícil experiência de movimentar a vida dentro de si ao partir e ao chegar. Viajar sem sair do lugar em que as raízes estão. Experiência é travessia e para atravessar é preciso coragem de ir além do que esteve sempre perto, porque corremos riscos mesmo quando não experienciamos. Tempo de deixar as roupas velhas ou repagina-las. Chega tempo de botar a mão no Volante como faz meu Severino ou “Botar o barco pra frente” como me aconselha minha mãe de uma cidade do sertão alagoano que não tem rios, nem barcos.
Volante é salto, delírio, suspiro, coração acelerado, frio na barriga na montanha russa, é medo de bicho – papão, luta e guerrilha, batalha armada de peixeira na mão contra os moinhos de vento, moinhos de medo, moinhos de insegurança, moinhos que abalam a autoestima da gente.
Não posso mais voltar, porque “quem vai não volta nunca” me diz o andarilho. Fazer teatro é a minha possibilidade de viver e reviver memórias que me habitam e principalmente as memórias inventadas e entregá-las a quem quiser guardar, pois não se engane o poeta finge sim, senhor!
Não fala de mim esse texto, não fala de mim essa música, fala talvez um pouco de nós que somos um, nós somos uma legião espalhada pelo mundo, poeira do universo. Juntando novamente continentes, colhendo uvas para com os pés pisar e transformá-las em vinho amargo com gosto de terra, com gosto de vida.
É da água que essa peça quer falar, do fogo, do vento, da terra... Com os pés na terra esse homem caminha sobre as águas dos seus próprios medos.
Volante, volúvel ou mutável como nós deveríamos ser. Só quer ser feliz. Delírio de felicidade que alguns de nós perdemos pelo caminho.
Esse espetáculo é meu encontro com você. Nosso encontro no mundo. Experiência efêmera e eterna enquanto vivermos. Construção de castelo de memórias sem ninguém preso na torre. Porta do coração aberta, circulando com o vento por todos os lados, chovendo, encontrando a vida no ponto inicial que faz desse lugar o meio e melhor lugar do mundo, porque a gente continua a cada recomeço. Convido você a dividir comigo esse mundo em dois lados formados pelo passado e pelo futuro mais livre, mais leve...

Volante!
(Bruno Alves)

05 fevereiro 2015

01 dezembro 2014

Pode me chamar de ...

Escolher um nome é sempre uma decisão difícil.
Fico imaginando como pais e mães escolhem os nomes dxs filhxs, porque dependendo da escolha, já que se pode mudar o nome legalmente, essx filhx levará o nome para o resto da vida.
Um nome para um personagem é um nome para sempre. Esse nome surge e o acompanha, dá forma e vida ao seu caminho na terra. Geralmente eu escrevo sem nomes para os meus personagens, porque dar um nome é colocar alguém dentro de uma história que aquele nome traz consigo.
Eu tive uma fase de assinar em cartinhas com os nomes dos meus avôs, depois tive uma fase de abominar o diminutivo do meu nome querendo ele simplesmente como é. Eu fui criando uma aversão ao sufixo “inho” por que era uma construção ao longo da vida e não uma escolha.
Escolher, por exemplo, um nome artístico é uma escolha difícil também, mas é um momento em que tenho a plena liberdade de escolher como quero ser chamado.
Casar faz a gente mudar de nome, acrescentar outro nome, hoje já não é obrigatório, mas isso é uma mudança que me deixa curioso. Por que cada nome é uma história. Receber outro nome é positivo também, porque nessa ocasião eu junto a minha história com a história de alguém e escrevemos a nossa nova história com um novo nome.
Engraçado observar a fase da adolescência na qual eu tinha uma busca por me reconhecer no próprio nome, de criar um nome que me representasse em cada momento. Toda semana eu pintava o cabelo e junto eu mudava de nome. Hoje aos 27 anos finalmente assino meu nome por inteiro sem mais nenhuma questão com ele e deixo meu cabelo crescer e encontrar a sua forma própria.
Carlos Drummond de Andrade tinha uma paixão por nomes.  O poema “José” foi um dos primeiros que declamei em publico e o mesmo autor me mostrou uma nova forma de ver o mundo ao pronunciar em seu “poema de sete faces” o nome Raimundo.
Gostava também do sobrenome Tatipirun por causa da “Terra dos Meninos Pelados” do Graciliano Ramos. Parecia um lugar tão bom de ser viver que nos tempos de Orkut eu assinava o perfil como Raimundo de Tatipirun, mas se chamar Raimundo seria uma rima e não uma solução nesse momento de escrita do texto Volante.
Meu anti-herói por pouco não se chamou Chico por devoção ao santinho querido de Assis. Quase que batizei de Miguilin por estar lendo no tempo a obra Campo Geral de Guimarães Rosa, porém dentre tantos nomes e significados ao longo da nossa história literária eu escolhi chamá-lo de Severino. Meu personagem já nascia Severino.
Ao ler a obra de João Cabral de Melo Neto sempre me emocionei com a poesia que brotava em cada verso e a tentativa do personagem se apresentar definindo o seu nome em meio a tantos com o mesmo nome naquele lugar.
Definir-se Severino era ao mesmo tempo uma necessidade de decifrar o que há de severo nessa vida que se mostra e se esconde como água correndo nas mãos ...
O meu Severino acabava de nascer. Estava saltando nas linhas do caderno, mas já vinha há anos caminhando pelo mundo, desde quando nasci.
Fotografia de Nivaldo Vasconcelos


 “- De sua formosura
deixa-me que diga:
é tão belo como um sim
numa sala negativa”

Esse trecho da obra de seu João me acompanhou nos últimos anos. Fez-me rir e chorar ao lembrar que a vida é sempre mais forte e que o sim é maior que o não. Eu tenho paixão pelo “Sim”. Eu disse sim!
Tenho lido outras obras teatrais e visto nos autores nordestinos essa busca, essa resignificação do sujeito “Severino” e percebo que cada um carrega um “Severino” dentro de si. Eu me perguntava: “Por que mais um Severino?” e eu me respondia: “Somos muitos Severinos”.
Severino, o meu retirante, alagoano, andarilho, contador e catador de histórias é para mim belo como um sim numa sala negativa. É uma gota de vida que escorre numa vida severa cheia de salas negativas. É uma busca por um lugar, por um reencontro com tantos nomes que a vida o deu.
É um perder-se e achar-se dizendo sim, sempre sim!

22 novembro 2014

Ensaio (de coração) Aberto

Todas as fotografias desse ensaio são de autoria de Nivaldo Vasconcelos.

Era a primeira vez que eu abria a porta da sala de ensaio.
Não dormi direito no dia anterior.
Coloquei o alarme para acordar cedo e acordei mais cedo do que o programado.
Era como abrir uma gaiola para mim.
Era a minha primeira tentativa de voo num solo (desconhecido?!).
Ao redor eu tinha pessoas queridas, pessoas que riem e fazem rir.
Estava eu no "I Encontro de Palhaços de Maceió", organizado pelo grupo Clowns de Quinta, que aconteceu do dia 19 ao dia 22 de novembro.
Meus companheiros de cena não puderam comparecer ao ensaio por questões de agenda com outros trabalhos, mas eu precisava estar perto dxs amigxs para abrir o meu coração transformado em cena. 
Precisava falar sobre as limitações e potencialidades do espetáculo. Precisava dos olhos atentos e dos corações abertos.
Era um ensaio sem adereços, cenário e figurinos finalizados, mas era um desenho do que será.
A recepção me sensibilizou. Passei todas as cenas do espetáculo durante o ensaio,falei das inspirações iniciais e da busca pelo entendimento e criação de novos signos.
Ouvi ao final depoimentos e inquietações.
Só tenho a agradecer aos Clowns de Quinta pelo convite, acolhimento e cuidados que me proporcionaram naquela manhã do dia 21.
Quero agradecer ao Nivaldo Vasconcelos pelas fotografias e partilhas na confecção dos adereços.
Rayane Wise pelo cuidado e carinho em estar concebendo a maquiagem.
Agradeço a Pam Guimarães pelo registro audiovisual do ensaio.
A todas as pessoas que compartilharam as sensações e inquietações comigo nesse dia tão especial. 
Não esquecerei cada palavra! 
Voltei para casa feliz pelo primeiro passo. Primeira tentativa de voo.
Pela noite eu tinha uma sensação de segurança não vivida há muitos meses.
Eu olhava para a rua chuvosa e finalmente me dizia:
"Estou em Maceió".






Rayane Wise começa a conceber a maquiagem.