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01 junho 2018

Diálogos: Coletivo Volante no NISE (COM)Vida!

NISE (COM)Vida!
Tivemos a oportunidade de conversar sobre nosso processo de residência de criação artística no Hospital Psiquiátrico Portugal Ramalho e sobre a construção do espetáculo "Follia".
Como foi importante essa primeira conversa com pessoas de artes cênicas, estudantes e profissionais da psicologia e terapia ocupacional. Ouvir os diversos pontos de vista e as diversas experiências reverberam em nós muitas coisas e principalmente amplia a discussão.
Agradecemos muito ao NISE nas pessoas de Bruna, Taciana e Renata Guerda pela recepção, convite e acolhimento.
Queremos voltar mais vezes!
Gratidão a todas as pessoas que estiveram conosco.







23 fevereiro 2017

"Dona Incelença" - Referências

"Aquilo que nos passa...
Aquilo que nos atravessa..."
Abaixo deixamos algumas das imagens usadas no nosso último encontro na construção do espetáculo "Dona incelença da rua" e que nos ajudam a caminhar.


















03 fevereiro 2017

Por onde andamos...


Esse texto é para compartilhar com você sobre nosso processo de encontros na construção do espetáculo “Dona incelença da rua”.

Tudo começou assim...

Batatinha quando nasce...

Conversava sobre desejos e admirações teatrais com Gessyca Geysa quando ela me compartilhou uma de suas experiências que traziam uma reflexão sobre ressignificações do famoso “batatinha quando nasce...”. Isso ficou em minha cabeça durante muitos dias.
Era época do Festival de Teatro de Alagoas – FESTAL e nesse período nos aproximávamos dos trabalhos dos amigos e de públicos diversos que vinham assistir as peças.
O Coletivo Volante de Teatro pretendia construir seu próximo espetáculo exclusivamente para um palco de teatro, mas tudo foi mudando nesse período de novembro de 2016.
Nesse mês circulamos pelo SESC das Artes nas cidades de Limoeiro de Anadia, Feliz Deserto, Lagoa da Canoa, Piaçabuçu e Teotônio Vilela. O SESC – AL levou nosso primeiro espetáculo “Volante”, que dá nome ao coletivo, para espaços diversos das cidades visitadas. O encontro com os diversos públicos bateu no peito como uma vontade de ficar cada vez mais perto, mas os dias foram passando...
Durante o FESTAL assistimos “O Mamulengo do Ambrósio” do Coletivo Heteaçã e da Cia Armorial de Teatro de Bonecos. Quando acabou o espetáculo o peito batia com força querendo a rua, o espaço público mais uma vez e com mais força. Foi aí que veio a decisão por explorar mais a rua, a estética desse teatro, de se aproximar cada vez mais dele para entender a cidade e conhecer as pessoas.
Ok! Tinha uma primeira certeza: A próxima peça do coletivo continuaria pelos espaços alternativos e traria um estudo mais aprofundado sobre a estética do teatro de rua, mas que peça será essa?

Batatinha quando nasce.... 
Se esparrama pelo chão.

Foto encontrada em pesquisa na WEB.




Na noite de encerramento e festejo do FESTAL aconteceu um sarau em comemoração. Durante o sarau Magno Francisco, Professor de filosofia e militante da Unidade Popular – UP, pegou a palavra e começou a relatar para as pessoas sobre a morte da testemunha do caso de desaparecimento após uma abordagem policial do seu primo Davi da Silva. As palavras de Magno naquela noite me comoveram e fiquei por muitos dias com seu discurso na cabeça. Quando Magno entregou o microfone o cantor Rogério Dyas ia iniciar seu show, mas antes leu um cordel de sua autoria chamado de “O Mercado da Morte”. Pronto! Naquela noite eu não dormi. Fiquei inquieto pela casa como se fosse convidado a falar sobre o assunto. Nesse mesmo período a mídia começava a anunciar os dados do Mapa da Violência coordenado pelo professor e sociólogo Júlio Jacobo Waiselfisz. Alagoas, e infelizmente isso não é novidade para nós há muito tempo, está mais uma vez entre os estados em que mais se matam.
A madrugada do dia 27 de novembro foi para não dormir com todo esse barulho. Comecei a rabiscar no papel qualquer coisa sem sentido, mas que me ajudasse a extravasar o sentimento de tristeza, medo e indignação. Muitas questões vinham a mente nessa madrugada, inclusive o espaço em que moro há seis anos (Maceió), porque mesmo morando aqui durante esse tempo ainda tenho muitas dificuldades de respirar e entrar no ritmo da cidade.
Essa madrugada me fez entender que eu preciso respirar, mas que eu não preciso entrar no ritmo da cidade, porque ritmo pode ser construído, porque ritmo é pessoal, ritmo é experiência também. Não quero o ritmo que mata e ponto.

Como trazer um outro ritmo para cidade? Como trazer o nosso ritmo? Qual a origem do que tem nos matado? Como dormir bem, enquanto alguém morre durante o meu sono? E quando é o meu amigo que pode morrer? E quando é um familiar? E quando são os desconhecidos, porque eu me contento em me acostumar com a notícia? E se fosse eu morrendo agora?

São muitas perguntas.

Continua...

Por Bruno Alves
Ator e Dramaturgo do Coletivo Volante de Teatro

01 fevereiro 2017

"Dona Incelença" Semana 09


Refletimos os caminhos vivenciados nos outros encontros.
Tanta coisa foi sendo vivida e partilhada que agora é momento de revisitar esses lugares para chegarmos nas cenas.
"dona incelença" traz um texto como base inicial de discussão, mas cada pessoa envolvida traz muitos textos, pré-textos e entrelinhas dentro de si. Cada corpo comunica muitas histórias e é preciso ouvi-las.
Quando isso acontece as texturas da construção vão crescendo e encontrando muitas possibilidades.
#Semana09

01 fevereiro 2016

Oficina no Barracão Teatro - Dia 1


Tiche nos olha e nos vê.
Estava hoje no primeiro dia de oficina diante de uma mulher que carrega nos olhos a leveza da experiência. Isso: a leveza.
Tiche não nos aprisiona. Vai aos poucos nos mostrando o caminho da liberdade e deixa em nossas mãos a possibilidade de experiência-lá ou não.
"Não finja que sente. Seja sincero com você" nos dizia durante os primeiros exercícios.
Tiche tem mais de trinta anos pesquisando a máscara teatral, mas nos dizia que estava ali para aprender.
"Um mergulho dentro de si mesmo" é o que nos propôs nessas primeiras horas. Fiquei desconcertado. Já não sabia o que me levava estar ali, mas estava. Estava querendo estar e feliz estando.
Falava da necessidade de levarmos as coisas com leveza e de não ter medo de dizer bobagens, porque isso nos é permitido a vida toda nesse processo humano de aprendizagem.
 Queria nos mostrar um caminho que encontrou e que continua procurando. "Mergulhar fundo numa coisa permite que a gente enxergue o que está ao redor... Quanto mais a gente mergulha mais a gente descobre".
Como me permitir viver esse momento pela necessidade de vivê-lo e não apenas pela "obrigação" de adquirir conhecimento? Como estar ali e esquecer os vícios do cotidiano todos grudados no corpo? Como permitir que esse corpo mostre o que eu não vejo?
"Às vezes não é a resposta que a gente não encontra, mas a pergunta que não está sendo feita direito" nos dizia.
Tiche nos dizia que estava em processo de escrita do doutorado e que demorou por que precisou de tempo para experienciar as coisas e ter o que falar sobre elas. Que incrível essa mulher!
Ela nos trata por igual nas nossas diferenças. Não tem quem sabe mais e quem sabe menos. Existem os que se permitem e os que não se permitem por achar que sabem. Quer nos mostrar os passos que levou para que entendesse muita coisa, mas que não tenhamos pressa,porque a caminhada é longa e precisa de tempo e paciência.
Desconcerto profundo. Leve e sutil como uma pena que corta o músculo. Ela sabe no que está mexendo.
Esse primeiro dia me deixa sem saber para onde ir, perdido e me reconhecendo como um ator que ainda não sei, que ainda erro e preciso reconhecer o erro, pois dizia que é importante identificar isso para buscar o acerto dentro das nossas possibilidades, porque assim não estaremos estáticos e aprenderemos muito.
Tiche tem amor no olhar e a leveza da humildade de quem já se deixou marcar pela vida.
Alguém assim a gente sente vontade de agarrar bem forte e não deixar sumir nunca mais.
Ela pedia para não nos preocuparmos em anotar as coisas, mas abrir o nosso corpo e a nossa alma para receber o que estava ali.
Tudo está dentro de nós guardado, escondido e esquecido pelo cotidiano que não nos faz perceber e não dá espaço.
Por falar em espaço, ela nos falou da importância de se ter esse espaço para trabalhar. Um lugar sagrado do qual nada do cotidiano atrapalhe a nossa busca.
Hoje foi só o primeiro dia. Amanhã a vida nos surpreenderá muito mais.

P.S.: Não registrei em fotos o dia de hoje. Eu nem lembrei que existem câmeras para fotografar, mas tá tudo aqui guardado com muito amor.

Bruno

14 outubro 2015

Diálogos "Texto Ex Machina" por Bruno Alves

“Volante” é coisa mutável e que se desloca facilmente!
Virar a máquina e começar a descobrir outra possibilidade de criação dentro do contexto de “Texto Ex Machina” foi uma experiência enriquecedora.
Não costumo fotografar as coisas. Eu vivo as experiências e não tenho na maioria das vezes uma foto para lembrar aqueles momentos.
Morria de medo de encarar a máquina e se permitir vivenciar a construção de uma história através de uma lente, mas a “con-vivência” faz isso. Vou aprendendo a apreciar e a entender as possibilidades de diálogos que ela pode trazer.

tempo de usar as mãos e vencer os fantasmas

Nivaldo escolheu o texto e falou que queria atuar. No inicio pensei que fosse brincadeira, porém a coisa foi ficando séria e quando vimos já era hora de se permitir.
Isso me desbloqueou em muitas coisas, principalmente no que diz respeito a experienciar e se permitir brincar de fazer pra valer.
Quando iniciamos a gravação existia um receio singelo “encolhido no canto da parede” de ambas as partes. Era a nossa primeira vez! Moramos na mesma casa e era como se estivéssemos nos conhecendo naquele momento.
Eu tinha que entender o que eu queria da leitura de Nivaldo. Eu tinha principalmente de me entender com a câmera. Pela primeira vez eu não a esqueci, pois geralmente eu esqueço o monitor da máquina e assisto a cena do jeito que eu quero. É que meu olhar foi educado para o teatro e lá a gente vê o todo acontecendo e direciona o olhar para onde nos chama atenção. Entender que com a câmera não seria muito diferente me ajudou a imaginar que eu assistia a peça e com a ajuda dela ia vendo no enquadramento aquilo que me chamava para perto.

Nivaldo foi um ator disciplina com o texto e trouxe muitas propostas com o corpo para a construção, difícil mesmo era perder o controle da situação, coisa normal quando se é acostumado a estar por trás da câmera, porém eu fui assumindo aquele lugar que eu me permitia e fomos abrindo espaços para essa inversão. Entender o momento de inversão foi fundamental para que assumíssemos o desafio de fazer algo diferente de nossas experiências anteriores. Era questão de generosidade e de viver o lado do outro naqueles instantes.
Eu fiquei com muita vontade de gravar mais, para minha surpresa. Era como quando você se apaixona a primeira vista, mas no meu caso eu perdi a conta das vistas, porque foi preciso chegar esse momento para dizer que é possível e que é permitido por que nós nos permitimos.
Vamos seguindo com as próximas experiências, porque mudar o jogo e buscar outros caminhos é sempre necessário.



Bruno Alves

Assista ao Episódio VII clicando no link:


12 agosto 2015

Material Gráfico do 2º Episódio de "Texto Ex Machina"

 Aqui registro o material gráfico produzido pelo Estúdio Atroá para o segundo episódio de "Texto Ex Machina". 

 Agradeço aos atores Jadir Pereira e Igor Rozza e a atriz Louryne Simões pela disponibilidade, generosidade e entrega. 

 Gratidão ao Estúdio Atroá por toda parceria e cuidado.

 Não percam amanhã a estreia do EPISÓDIO III de TEXTO EX MACHINA, uma websérie que pretende explorar e buscar relações entre o texto teatral e a linguagem audiovisual.
Às 20h!
Assistam em HD!
TEXTO: Sinantropia, ou corpo de gente, de Bruno Alves
LEITURA: Rayane Wise e Wanderlândia Melo
Direção, Fotografia e Montagem: Nivaldo Vasconcelos
Assistência: Bruno Alves e Ítalo Renato.
REALIZAÇÃO
Coletivo Volante
Estúdio Atroá

Os episódios de TEXTO EX MACHINA estarão quinzenalmente na Página do Coletivo Volante.
Próximo episódio: Quinta, 27 de Agosto às 20h.
EPISÓDIO I
EPISÓDIO II














17 julho 2015

Diálogos "Texto Ex Machina" - "Domesticáveis por Bruno Alves




 Um texto de teatro é feito para ser visto.

Escrevo por exercício de criação e brincadeira com as possibilidades da literatura dramática. Escrever peças de teatro tem sido uma aventura que eu amo, sim, descobri que amo muito. Sempre amei. Encarar-me como um dramaturgo tem sido um processo de muito trabalho, esforço e caminho de leitura e escrita. Estou caminhando... Estou entendendo essa coisa que eu amo fazer.

Gosto da dramaturgia e suas diversas possibilidades. Dramaturgia é coisa viva e mutável! Gosto do dramaturgo como pessoa presente e provocadora na construção e encontro com o texto ou partitura dramatúrgica. Dramaturgia que eu vou gostando de fazer é esse caminho de entendimento e prática constante de leitura, encontro, observação e escrita.

Aprendi tanta coisa nesse tempo. Aprendi que inspiração não chega ou bate na porta, ela só vem na transpiração.

Como ator nunca consegui ler um texto, seja ele um poema, conto, romance, nota policial no jornal, receita de comida, dentre outros, sem me imaginar como personagem da história. Apego-me fácil ao personagem que estou lendo e leio imaginando fazendo num “palco”. É sempre assim...

Desde meus tempos na cidade de Viçosa - AL escrever era uma possibilidade de descoberta. Eu escrevia minhas peças e via nelas a chance de dizer o que eu queria dizer (as primeiras peças a gente nunca esquece, pois é, né?!). Teatro é essa busca que eu faço de entender a cada dia o que eu quero dizer e por que quero dizer com teatro.

A mudança da escrita acontece na saída da cidade de Viçosa. Os novos encontros, as oficinas com os grupos de diversas partes do Brasil, as viagens, as conversas, a viagem, as mudanças... Meu casamento.

A dramaturgia está em todo lugar. No desenho de uma criança, numa música, na fila do banco ou da loteria, numa fotografia, em alguém sentado num banco de uma praça, numa pessoa tomando banho de chuva e de repente... Que surpresa! Nasceu uma possibilidade de cena.

Entre intervalos de som, silêncio e fúria eu busco observar, escutar e olhar sempre com mais atenção. Ficar quieto e deixar que o mundo se mostre é para mim uma possibilidade de entender e sentir a vida brotar num ponto de ônibus ou na mesa de um bar.

Tudo que escuto, assisto, leio, converso e calo me ajuda a encontrar as cenas reveladas ou escondidas no cotidiano. A escrita para teatro é a minha forma de comunicação ou incomunicabilidade com esse espaço e esse tempo. São tentativas cheias de desejo e vontade. São tentativas cheias de boas e diversas intenções.

Em 2014 participei do Projeto do SESC  “Dramaturgia: Leituras em Cena” com Francis Madson (AM) e desde lá ele já me provocava a conhecer as novas dramaturgias e o encontro delas com o corpo do ator/atriz.

“Domesticáveis” nasceu em um desses encontros marcantes da vida.

No mês de maio fiz a oficina “Dramaturgia Contemporânea: Escrever no Labirinto” com Vinicius Souza (MG), também realizada pelo SESC –AL.
Essa oficina me possibilitou um encontro intenso com as diversas formas de dramaturgia produzidas em nosso tempo. Vinicius incentivou e provocou a nossa busca e prática constante. Desde junho a gente vem mantendo acesa essa vontade de conhecer com os nossos encontros no “Grupo de Estudos e Escrita de Dramaturgias”.

Experimento escrever essas cenas “Domesticáveis” como alguém que curioso brinca com os sons e a dor de ser coisa. 

A cena da “FACA” é fruto de uma matéria policial, dessas bárbaras que vemos sendo notificadas constantemente nas páginas dos jornais e que as vezes nos chocamos, outras vezes não. É uma busca por comunicação dentro da materialidade das coisas. O entendimento e a humanização de coisas no meio de situações tão desumanas.

O Projeto “Texto Ex Machina” surge como uma possibilidade de revelar essas entrelinhas guardadas em gavetas dispersas e ampliar a proximidade das pessoas com essa procura por uma construção dramatúrgica dentro do nosso estado. É um caminho de entendimento de diálogos possíveis entre linguagens diferentes, mas que há muito tempo se comunicam de diversas formas.

Quando li pela primeira vez o texto “domesticáveis” para Nivaldo ele já imaginou uma releitura para o vídeo. Fomos entendo e desconfiando dessa possibilidade. Aos poucos fomos nos rendendo a ela e quando percebi já não podíamos resistir em querer que os textos fossem vistos. Casávamos mais uma vez naquele momento.

Algumas vezes escrevendo eu dizia a Nivaldo que tinha a impressão de que as peças de alguma forma pareciam um filme e certamente não estou ficando fora de mim. Essas peças que não são filmes nascem no convívio com quem respira cinema o dia todo. Estar próximo de Nivaldo me traz uma possibilidade de novos ritmos, sons e silêncios que eu desconhecia.

“Texto Ex Machina” é o começo de um caminho de estudos, experimento e proximidade da literatura para teatro com as pessoas, com a câmera e com as janelas virtuais. 

Sejam bem vindos (as)! Esse espaço é de todos nós!


Bruno Alves

Texto Ex Machina e a Direção de Nivaldo Vasconcelos





 "Para o primeiro episódio pensei muito no espaço. Tinha que falar desta relação entre palco e tela. Imaginei uma caixa preta, escura e insondável, se iluminando raramente para o monólogo da faca.
Comecei a trabalhar com o pensamento do espectador de uma cena teatral, para onde meus olhos e ouvidos eram atraídos pelo texto? E me deixei guiar captando som e imagem no mesmo dispositivo, desrespeitando os limites da aproximação ou a cautela para preservar a imagem (objeto tão vítima de fetiches), a aproximação gera distorções sonoras, variações de textura, acidentes incontroláveis.
Minha busca era diferente ali, buscava o que era tangível naquele diálogo, palpável a ponto de ser captado pela máquina(câmera), acontecendo num átimo e encontrando sua forma, eis o corpo..."
Nivaldo Vasconcelos



14 maio 2015

Para uma escola: Volante!

 Apresentei no dia 13 de maio na Escola Estadual Dr. Edson dos Santos Bernardes, localizada no Bairro Joaquim Leão aqui em Maceió.

Registro de Nivaldo Vasconcelos

 Contei com o apoio da direção da escola e da professora Áurea para que a apresentação do espetáculo acontecesse.
 Era a primeira vez que apresentaria para um público formado em grande parte por crianças e adolescentes.
 Como chegar ao coração? Eu me perguntei, já que para mim fazer teatro não tem sentido se não tocar o coração das pessoas, aí vem Cora Coralina e nos diz que nada do que fazemos tem sentido se o intuito não for chegar ao coração.
 Como tratar da temática da felicidade numa fase em que as questões são tão intensas e muitas vezes perturbadoras? Como falar de morte quando esta cerca vez ou outra a nossa porta?
 Falar fazendo. Falar contando!
 A experiência dentro da escola ou na praça que fica em sua porta, foi para mim um dos momentos mais significativos dessa jornada. Eu estava indo ao encontro de pessoas que gosto, que conheço de alguma maneira e que no fim das contas iria conhecer melhor. Era momento de se permitir deixar se envolver por todxs e também me envolver. Momento de jogar o jogo da vida numa cena de teatro.
 As crianças, os adolescentes e os jovens e adultos da escola foram muito receptivos, respeitosos e carinhosos com a presença do espetáculo. Pude ao final ver o brilho nos olhos, paradas para tirar um “selfie”(rsrs) e até mesmo perguntas do tipo “como faço para fazer teatro também?” foram coisas que tocaram o meu coração profundamente. Eu que queria tocar, saí de lá tocado, sensibilizado e fortalecido pelo amor que acontece no encontro.
 Durante o espetáculo, Severino pede a plateia um presente para levar com ele na carroça. Fiquei assustado com a quantidade de coisas que recebi. Todas me marcaram profundamente, porque sei que para elas e eles aquele presente significava muito. Uma moça da Educação de Jovens e Adultos me presenteou com um presente que ganhou da mãe. Fiquei balançado ao ver aquela sua declaração de amor ao personagem ou ao momento que vivia e não tive receio em receber, porque sabia que era muito significativo para ela e para mim também.
 Cansaço tinha no corpo, mas os exercícios de voz e respiração e as técnicas de meditação do Solar: Laboratório de Meditação me ajudaram a manter a energia durante as três apresentações, porque para mim não faria sentido apresentar de qualquer jeito ou com meia entrega, pois cada pessoa merece receber o espetáculo como ele foi concebido.
 Isso me deixa muito feliz. Faz-me acreditar que o caminho do entendimento e do aperfeiçoamento se faz caminhando e no contato com as pessoas. Deixou-me vivo e com vontade de seguir.
 Não há palavra que comporte a satisfação que acontece no encontro.
 O encontro não cabe em uma palavra, mas eleva e alimenta a alma.
 Três experiências diferentes e únicas.
 Não esquecerei vocês, porque o amor que lá encontrei segue junto da carroça pelos caminhos que ela for seguir.
 Gratidão a direção e coordenação da escola (Professoras Eliane, Meirilucia e Débora).
 Gratidão a professora Áurea que sempre nos acolhe e incentiva.
 Gratidão a Rayane Wise pela presença, maquiagem e todo apoio.
 Gratidão ao Nivaldo Vasconcelos pelo sempre belo olhar com  o espetáculo.
 Vamos descobrindo juntos esses caminhos.
 Eu agradeço ao universo por ter vivido esse momento.

Bruno 



28 março 2015

(Diário de Estreia) Longa vida a “Volante”!

Estreamos!
Respiro e solto o ar como um uivo guardado dentro do peito.
Estrear é fácil. Difícil é o caminho que antecede a estreia.
Agora que o filho está solto no mundo é tempo de ensiná-lo a andar com as próprias pernas. Como um bebê que precisa caminhar e entender que a vida anda correndo.
“Volante” meu filho querido, cordão umbilical que se desgruda de mim e se enterra no solo fértil de algum lugar do mundo.
“Você precisa cortar o cordão umbilical” me dizia mestre Ronaldo Aureliano ainda quando morávamos em Viçosa.
“Você precisa dar a cara pra vida bater” me dizia o poeta viçosense no banco da praça.
Estrear é dar a cara pra bater, mas bate com cuidado, meu amigo! Por que a vida às vezes fere, espanca!
Estávamos lá diante daquela plateia amistosa de veteranos e calouros do curso de Teatro Licenciatura da UFAL, havia também amigxs e pessoas alcançadas pela divulgação. O espaço cênico foi um corredor do Espaço Cultural da universidade, lugar melhor e aconchegante para esse momento não haveria.
Fotografia de Nivaldo Vasconcelos - Estúdio Atroá

Passamos as últimas semanas entendendo o espaço, experienciando dentro da sala fechada, do pátio e outros. Era preciso entender onde iríamos encontrar o público pela primeira vez. Não poderia ser numa sala fechada, mas em outro momento poderá e por que não? Volante é o que se move e não tem residência fixa, sendo assim, todo lugar será um palco.
Estrear num dia 19 de março de são José/Xangô Aganjú foi uma oportunidade de se sentir acolhido pelo olhar das pessoas presentes e entender ao longo desses dias que passaram as questões mais gritantes na peça. Pois é! Estreia não deixa tudo lindo, pelo menos para nós que fazemos, porque é o momento de avaliarmos o que realmente funcionou das coisas trabalhadas na sala de ensaio. Isso não quer dizer que as coisas devem ser drasticamente modificadas. Na estreia identificamos fragilidades e potencialidades que muitas vezes podem até passar despercebidas aos olhos do público. Confesso que isso me faz refletir sobre o processo, sobre os ensaios e sobre cada público, pois afinal cada pessoa recebe de uma forma diferente as coisas e o que toca alguém pode não tocar outra pessoa. Somos múltiplos, somos diferentes e nossa história particular reflete muito na hora em que apreciamos e vivenciamos uma experiência teatral.
É esse momento também uma oportunidade de pensar o futuro do espetáculo e os palcos que ele poderá percorrer. É tempo de encontrar o ritmo, a respiração, o olhar, treinar o olhar e o ouvido e de avaliar principalmente a sustentabilidade do espetáculo e a do artista,  enquanto ser que deseja viver- se sustentar- do que mais lhe faz feliz.
Estreamos!
Estamos prontos para caminhar e o caminho se faz caminhando. Aí está o nosso filho, tal qual como educamos e descobrimos na sala de ensaio. Estou feliz pelo caminho percorrido. Pela oportunidade que me dei de por a mão no volante e fazer as coisas acontecerem. A gente tem que se permitir!
Que venha muito teatro em 2015! Esse é o meu desejo!
Longa vida a “Volante”!

 Evoé!


Bruno Alves

19 março 2015

Estreamos (Revista Digital)

Amigxs!
Hoje foi um dia especial para nós. Dia de mostrar ao público presente aquilo que preparamos longe de seus olhos.
Para celebrar esse 19 de março o Estúdio Atroá preparou um presente para nós do coletivo e para vocês que por aqui acompanham e desejam saber mais sobre o processo.
Reuniu em uma revista digital as fotos do começo do processo ao que chegamos hoje com fotografias de Nivaldo Vasconcelos e Nathaly Pereira.
Gostei bastante do resultado e principalmente do carinho, sensibilidade e cuidado que o Estúdio Atroá tem dedicado em construir um registro visual para partilharmos e guardarmos em nosso portfólio.
Clica no link e viaja conosco por esse coração Volante!
Evoé!


http://www.youblisher.com/p/1099816-As-Fotos-de-Volante/



08 março 2015

Mapa do meu tudo

Design Gráfico: Estúdio Atroá
Essa ideia do mapa como representação da história para construção do cartaz me deixou encantado.
Parabéns ao Estúdio Atroá pela sensibilidade e talento. Vocês arrasam muito!

04 março 2015

Carta para Volante

Arte Gráfica: Estúdio Atroá

Atiro-me de olhos abertos nos braços de um sonho.
Haverá carroça que caiba todo o desejo que trago comigo?
Atiro-me e jogo para longe o medo e a insegurança de uma falha na hora de abrir o paraquedas. Não posso mais voltar. Saltei como águia que achou por muito tempo que era galinha, mas que lá dentro de si alguma coisa de águia existia, fosse a habilidade para o voo ou  fosse o não acostumar a ciscar num mesmo terreiro.
Ensaio de voo esse “Volante”.
Momento de me permitir acreditar nas escolhas que fiz ao longo desses últimos três anos, mas por que não dizer ao longo dessa vida?
Foram “dias de sim”, foram dias de “chuva e não” como nos títulos dos livros do poeta Sidney Wanderley.
“Habilidades de voo” é significado para “Volante” em dicionário da web. Então, eu fico pensando que cada pessoa deve ter dentro de si um desejo de liberdade, uma vontade de voar pra perto das coisas que as fazem felizes, deve ter um pouco de volante em cada um de nós quando saltamos em busca do desconhecido ou quando encontramos em nós “a força que nunca seca”.
“Que não tem residência fixa” me diz o web dicionário. Nessa vida habitei tantas casas, por tantos lugares fui habitado que uma vez numa ponte alguém havia riscado “Quantas cidades tenho em mim?”. Esse mover-se em busca de novas casas permite a gente ganhar tantas coisas, mas perder uma imensidão também, mas afinal nos diz Bishop que “a arte de perder não é difícil de dominar” (em tradução do Nivaldo). Como aceitar a perda? Como seguir se sentindo feliz por perder tanta coisa e imaginar que haverá lugares e pessoas que possivelmente nunca mais veremos? Como aceitar que o momento, o instante é único e que se perde logo quando acaba e que nunca irá se repetir do mesmo jeito, como aquele banho que nunca será no mesmo rio. Como perder um segundo de sorriso num dia cheio de lágrimas? Como perder e não achar viver uma tragédia?
Começo. Recomeço.  Reinvento. Digo sim de novo. Teimosia pelo sim. Sim mesmo no meio da fogueira. Sim mesmo no meio da cova dos leões. Sim, sim e sim! A vida pede “sim”!
Eu estou calado geralmente. Eu precisei me alimentar de silêncios para entender o silêncio e os barulhos de outros e os meus também, mas mesmo em silêncio é possível ter nos olhos um furacão e no peito um vulcão em erupção. Estou grávido. Estou parindo! Vou aguentar as dores do parto até o fim. Não sei dizer melhor se não for com teatro. Não sei ser melhor sem ele.
Atravesso o mar nesse tempo e quero continuar a viver um amor mesmo separado por milhas de sal. Perdoe a minha sede de querer beber do mar, mas é que de onde venho só tem serras, cachoeiras, rio e matas viçosas.
Experiência é correr risco, me ensinava o professor. Experiência é perigo! A difícil experiência de movimentar a vida dentro de si ao partir e ao chegar. Viajar sem sair do lugar em que as raízes estão. Experiência é travessia e para atravessar é preciso coragem de ir além do que esteve sempre perto, porque corremos riscos mesmo quando não experienciamos. Tempo de deixar as roupas velhas ou repagina-las. Chega tempo de botar a mão no Volante como faz meu Severino ou “Botar o barco pra frente” como me aconselha minha mãe de uma cidade do sertão alagoano que não tem rios, nem barcos.
Volante é salto, delírio, suspiro, coração acelerado, frio na barriga na montanha russa, é medo de bicho – papão, luta e guerrilha, batalha armada de peixeira na mão contra os moinhos de vento, moinhos de medo, moinhos de insegurança, moinhos que abalam a autoestima da gente.
Não posso mais voltar, porque “quem vai não volta nunca” me diz o andarilho. Fazer teatro é a minha possibilidade de viver e reviver memórias que me habitam e principalmente as memórias inventadas e entregá-las a quem quiser guardar, pois não se engane o poeta finge sim, senhor!
Não fala de mim esse texto, não fala de mim essa música, fala talvez um pouco de nós que somos um, nós somos uma legião espalhada pelo mundo, poeira do universo. Juntando novamente continentes, colhendo uvas para com os pés pisar e transformá-las em vinho amargo com gosto de terra, com gosto de vida.
É da água que essa peça quer falar, do fogo, do vento, da terra... Com os pés na terra esse homem caminha sobre as águas dos seus próprios medos.
Volante, volúvel ou mutável como nós deveríamos ser. Só quer ser feliz. Delírio de felicidade que alguns de nós perdemos pelo caminho.
Esse espetáculo é meu encontro com você. Nosso encontro no mundo. Experiência efêmera e eterna enquanto vivermos. Construção de castelo de memórias sem ninguém preso na torre. Porta do coração aberta, circulando com o vento por todos os lados, chovendo, encontrando a vida no ponto inicial que faz desse lugar o meio e melhor lugar do mundo, porque a gente continua a cada recomeço. Convido você a dividir comigo esse mundo em dois lados formados pelo passado e pelo futuro mais livre, mais leve...

Volante!
(Bruno Alves)