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23 maio 2022

"Manso e Humilde de Coração" estreia em junho.

Caminhar e seguir em meio a imensidão de coisas que atravessam o caminho.


Seguir carregando entre as feridas nos pés as lembranças daqueles que não estarão mais quando finalmente se chegar ao destino.

Várias provocações povoam o corpo de Manso.

É do sermão da montanha do Cristo que surge o primeiro impulso.

Esse corpo atravessa desertos.

O que tem a nos dizer?

Será sobre a mansidão?

O deserto é o destino.

Manso chega em junho. Queimando como o sol de um dia infinito.

Arte: @nivaldovasconcelos

Espetáculo: Manso e Humilde de Coração

Texto e Atuação: Bruno Alves @denovobruno

Patrocínio: Lei Aldir Blanc @secultal

Apoio: Secult São Miguel dos Milagres.



09 janeiro 2020

"Benedita na Estrada" no Povoado Riacho

O ano novo por aqui começou com a chegada de @beneditanaestrada

Tivemos a oportunidade de conhecer Mirna e Bruno e ouvir suas histórias aqui no terreiro.

Que essa jornada de vocês continue inspirando e iluminando os caminhos por onde passam.

O Povoado Riacho vai lembrar com carinho e amor da tarde que vivenciamos hoje.

Gratidão @beneditanaestrada
Gratidão @julieta_zarza que nos aproximou.
Fotos de Nivaldo Vasconcelos








21 fevereiro 2018

"Follia" Treino de Nivaldo

Nivaldo Vasconcelos  pensa imagem/corpo/movimento.
Imagens gravadas durante exercício para a construção de “Follia”, novo espetáculo do Coletivo Volante, com estreia prevista para 2018 em comemoração aos 4 anos de fundação.


Rayane Góes, Nivaldo Vasconcelos e Bruno Alves  iniciam esse processo de investigação que resultará no novo espetáculo.]

Assista:



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Instagram: @coletivovolanteteatro
Blog: coletivovolante.blogspot.com

15 maio 2017

Revista #Textão nº1 - Já está no ar!

É com muita alegria que compartilhamos com você a #Textão





Aqui no link:

#Textão é uma revista bimestral/digital/colaborativa voltada para o pensamento do fazer artístico em teatro. Buscando refletir as experiências em Alagoas e dialogar com pessoas e grupos de outros estados do Brasil.

É um espaço que é nosso. 
Sejam bem-vindas e bem-vindos!

Agradeço imensamente a Nivaldo Vasconcelos por impulsionar o surgimento dessa publicação e fazê-la acontecer.

Agradeço muito a dramaturga Adélia Nicolete por sua generosidade em compartilhar experiências e trazer uma entrevista riquíssima sobre dramaturgia.

Agradeço a Elaine Lima por apoiar, incentivar e estar junto conosco nessa primeira edição.

Viva os diálogos!
 Viva o teatro!

29 abril 2017

"Texto Ex Machina" volta em maio!





“Texto Ex Machina” vem mudando nesta segunda temporada.
Na primeira (2015) o texto era entregue poucos dias antes e na maioria das vezes era recebido pelas atrizes e atores na hora da gravação. Agora atrizes e atores recebem o texto várias semanas antes.
É importante que cada pessoa tenha tempo para estudar o material e possa assim se apropriar dele, trazendo elementos do seu trabalho na construção da leitura.
O cenário continua sendo principalmente a nossa casa, porém, a proposta começa a ser “volante” e passa a se deslocar por outros espaços quando for necessário.
A captação de som também mudou, antes o som da câmera era nosso único recurso, mas para ampliar a relação do espectador com o texto, decidimos explorar mais as questões de som direto através de outros dispositivos de captação.
TEXTO EX MACHINA é Fazer leituras de textos teatrais autorais através da plataforma do audiovisual, no entanto, a receita ficou mais recheada:
A câmera e o som + diretor + atriz e ator + texto estudado previamente + Espaço mutável = Texto Ex Machina.
Em maio contamos com a releitura dramatizada de Elaine Lima e Nathaly Pereira, atrizes/palhaças do grupo Clowns de Quinta, do texto “A RONDA”.
Assistam os nossos episódios ! Essa Machina é nossa!

19 março 2017

2 anos de estreia "Volante"

No dia 19 de março de 2015 o espetáculo "Volante" estreou em um corredor do Espaço Cultural da UFAL aqui em Maceió.
São dois anos e muitos caminhos.
Evoé!
A foto é de Washington da Anunciação.


29 dezembro 2016

Carta de Agradecimento



2016 foi um ano difícil para o nosso país.
Hoje queremos agradecer a todas as pessoas e instituições que apoiaram para que a gente pudesse levar o nosso teatro adiante.
Agradecemos ao Estúdio Atroá que foi nosso parceiro no vídeo sobre volante, na produção do material gráfico de divulgação e no projeto “texto Ex Machina”. Por falar em texto ex machina tivemos a honra de ter uma leitura do querido ator Homero Cavalcante.
O SESC Alagoas foi nosso grande apoiador. Nos provocaram e nos impulsionaram a pensar o nosso trabalho e leva-lo a outros públicos. Participamos dos Projetos Palco Giratório, SESC das Artes, Aldeia SESC Arapiraca e do Circuito SESC de Artes onde percorremos várias cidades:  Limoeiro de Anadia, Teotônio Vilela, Feliz Deserto, Lagoa da Canoa e Piaçabuçu. Foi um dos momentos mais enriquecedores que vivenciamos.
Este ano teve muita coisa: Chá da Tarde da Cia do Chapéu, a Oficina o Ator e a máscara do barracão teatro em Campinas, o Colóquio Literatura e Utopia, o lançamento dos Livros de Dirceu Lindoso, o I Cidade de Deus Vive, a Mesa da Mostra de Intervenção e Performance. Ser parceiros de outros grupos no II Festival de Teatro de Alagoas, o projeto Ocupe a Praça com a realização do coletivo Pop Fuzz e da FMAC e a Ocupação do IPHAN com a Cultura Contra o Golpe.
2016 nos trouxe o inicio do nosso novo processo de montagem: “Dona Incelença da Rua”
Mas também foi um ano de espera e decepção. Ainda esperamos a Fundação Municipal de Cultura de Maceió –  a FMAC, que não pagou o prêmio do Edital das Artes de 2015. Que interrompeu a nossa chegada em 10 comunidades de Maceió.
Ganhamos novos amigos, experiência, aprendizado.
Foram 30 apresentações.
Vistos por mais de 3 mil pessoas!
9 cidades visitadas.
Mais de 30 mil visualizações em nosso blog.
2016 nos trouxe a melhor coisa que poderia nos acontecer.
Trouxe você que nos assistiu, acompanhou pela página, curtiu, compartilhou, torceu e nos ajudou com sua vibração e energia a chegar até aqui.
Em 2017 queremos fazer mais teatro e encontrar você mais vezes.
Nosso novo ano vai começar. Sejamos muito felizes!

Coletivo volante

Assista a carta clicando aqui:

22 novembro 2016

Crítica: “Eu vejo a lua” – Um ator invisível em Volante

Por Gessyca Santos

Atrevo-me a começar de trás para frente, porque fiquei pelo avesso quando o assisti. E é dessa sensação que irei falar sem preocupação em expressar neste início de texto alguns aspectos informativos a respeito do espetáculo teatral Volante. Antes disso, escolho o vazio onde tudo acontece, onde a amplitude do espaço e tempo não nos deixa reduzidos ao real, mas nos engrandece nas irrealidades que nos fazem reais.

Foto de Nivaldo Vasconcelos

O começo era o fim e o fim era o começo. Aquela imagem sedimentou em mim. Era um rapaz de braços abertos, apoiados numa estaca de madeira que estava deitada sobre suas costas e enfeitada de fitas vermelhas. Ele vestia uma roupa com cor de tempo, desgastada e um pouco rasgada devido às suas aventuras de andarilho. Nele também existia um cheiro de mar e o vi transitar de água a passarinho num estalar de dedos. Pensei: Para realizar tal manobra, só com ajuda divina! Talvez por isso ele estivesse fazendo uma reza que tinha velocidade de furacão e temperatura de vulcão.
Com esse fragmento de uma existência efêmera, introduzo esta crítica que aborda o espetáculo Volante interpretado pelo ator Bruno Alves do Coletivo Volante, Maceió – AL, apresentado no dia 09 de março de 2016, às 20h, no Teatro Jofre Soares, integrando a programação da 19ª edição do Palco Giratório na etapa estadual do Sesc- AL. Direciono o meu olhar à força do imaginário em “Volante”, a qual tratarei também como caminho para a construção do que seria um “ator invisível”.
Com uma dramaturgia rica em detalhes, lugares e seres diversos, o espetáculo Volante aposta na simplicidade para nos fazer enxergar o invisível. Com o palco quase “vazio”, pude ver monstros, pássaros, mar, carroça, centauro, barco, janela... E tantas outras imagens. Pareciam mais concretas do que, talvez fossem, se estivessem reduzidas a elementos de cena que tentassem traduzi-las ou representá-las em sua complexidade. Pontuarei três signos que se metamorfoseiam durante o espetáculo, para desenvolver esta crítica, considerando o último pouco explorado em suas possibilidades de uso: composição cenográfica/adereço Caetana, tecido azul e bastão com fitas.
O que se vê ao centro do palco é o que considero uma composição cenográfica, composta por um espelho em formato oval, rodeado de flores, apoiado na parte superior de um apoio em vertical (bastão) coberto por um tecido fino, nos dando a sensação de tratar-se de uma figura feminina. Adiante, essa mesma estrutura é utilizada como um adereço, onde o ator utiliza-o a seu serviço, construindo uma espécie de mascaramento, uma vez que veste o espelho sobre sua face e se camufla entre os tecidos, nos trazendo a imagem da morte Caetana. Aqui, o ator some, não por estar camuflado, mas por se fazer invisível ao assumir outra qualidade de energia, movimento e voz, a meu ver, provocadas pelo mascaramento.
Uma rede de tecidos ligados um ao outro através de nós, de cor azul/ciano, vestia o corpo do ator para nos trazer a imagem do mar. Chamo atenção para um fator: Não era a representação do mar distanciada do corpo do ator, não se tratava de uma moldura ou um cenário fixo. O ator vestia o mar e aquele elemento utilizado já não era mais uma rede de tecidos, na relação com um corpo que se colocava em prontidão, comprometido com o imaginário, fazendo-se água, não poderíamos ver outra coisa se não o mar. O ator desaparece mais uma vez.
Do início ao fim do espetáculo, o ator utilizou um bastão onde apoiou os braços, logo se construiu a imagem do personagem em espantalho, não havia sequer um passarinho sobre os seus ombros, no entanto vi uma revoada! “O olho é a máscara e a máscara é o corpo” diz Lecoq, em Volante o olhar e o corpo do ator receberam esses pássaros em seus ombros e os viram voar, um corpo inteiro comunica por inteiro, então, neste caso estar utilizando o bastão/vara complementou a ação física, construindo a imagem do espantalho, mas a força estava na presença física do ator. Embora este elemento bastão, tenha sido bem utilizado em alguns momentos, como o citado, percebi ao longo do espetáculo que tal elemento se tornou um apoio, onde ora construía imagens, ora se tornava algo fixo, sem razão de estar ou limitado em suas possibilidades, talvez ele precisasse de mais descanso, deixando o corpo do ator fluir em diálogo com as particularidades de cada situação cênica. Considerar este ponto é abrir mão da imagem fixa de Severino com os braços presos ao bastão/vara.

Finalizo com um fragmento de Yoshi Oida. Em seu livro “O Ator Invisível” ele diz: “No teatro kabuqui, há um gesto que indica “olhar para a lua”, quando o ator aponta o dedo indicador para o céu. Certa vez, um ator, que era muito talentoso, interpretou tal gesto com graça e elegância. O público pensou: “oh, ele fez um belo movimento!” apreciaram [...] a exibição de seu virtuosismo técnico. Um outro ator fez o mesmo gesto; [...] o público [...] simplesmente viu a lua. Eu prefiro este tipo de ator: [...] O ator capaz de se tornar invisível.”

14 novembro 2016

I CDD VIVE!

O espetáculo "Volante" fará uma participação no I CCD-Vive!
Será um momento de partilhas e encontros.
Juntos por uma comunidade sempre viva!



07 novembro 2016

Vídeo "Sobre VOLANTE" no ar!

Minhas queridas e meus queridos!
É com muita alegria e gratidão que compartilhamos com vocês esse vídeo realizado pelo Estúdio Atroá.
O vídeo fala sobre os caminhos para a construção do espetáculo "Volante".
Nossa gratidão ao Estúdio Atroá e a Nivaldo Vasconcelos pelo apoio e generosidade desde o começo dessa jornada.
Assistam! Compartilhem!
Gratidão!


06 outubro 2016

Teatro para tempos difíceis

Há um tempo venho precisando de recomeços. Esse ano de 2016 não está sendo fácil. Desde o começo dos protestos de rua e os batedores de panela verde-amarelo eu vi pouco a pouco tanta coisa sendo destruída nesses poucos meses.

Um governo ilegítimo tira de nós cada vez mais a dignidade. Uma mídia golpista faz descer goela abaixo as “verdades” que “devemos” defender. “Não está sendo fácil” diz a canção.

O pior de tudo isso é a imobilidade que me toma na maior parte do tempo. Olho pra dentro de mim, olho ao redor e me pergunto: “O que fazer?”. Não tenho respostas. Não sei responder. Não sou politizado o suficiente para soltar todo esse grito contido, mas o pouco que sou e que vi e aprendi ao longo da vida me faz afirmar para mim que eu não vou por aí.

Resistir é palavra que acende no peito. Re-existir é a necessidade que brota a cada dia com tantas desilusões e sonhos sendo atacados cotidianamente.

Fiquemos juntxs


Só posso responder com teatro. É a certeza que tenho desde quando tinha 16 anos e fiz minha primeira oficina e que desde então nunca parei. Eu, todos os dias, desde os 16 anos, penso em teatro e falo a palavra teatro todos os dias. Essa relação vai se firmando, vai se fortificando, vai florindo, enquanto algumas folhas insistem em cair.

 Só posso responder a vida com teatro, volto a dizer.

Observei muita coisa pela internet. Que mundo cheio de tempestades esse do facebook. Acordo sabendo que uma nova notícia ruim vai aparecer e aparece. Não é culpa das redes sociais, elas são ótimas e importantes no nosso tempo. É culpa desse tempo desencontrado que a gente vive. É culpa dessa falta de tempo para perceber e respeitar o outro.

O ser humano é falho. Disso eu tenho certeza. O ser humano é cruel quando quer ser. Essas eleições que aqui vivemos me fez repensar meu tempo no interior, a busca por um ideal de cidade melhor, a incompreensão na maior parte do tempo, o desprezo, o abandono. Quando olho para lá lembro de um tempo bom e até ingênuo perante essa máquina que rege tudo. Hoje por lá as pessoas em sua maioria se mostram como sempre foram, pulando de um lado para o outro na busca pelos seus próprios interesses, mas tudo bem, isso agora não me cabe e não posso mudar. Eu posso fazer teatro. Isso eu sei que posso. O teatro nunca me abandonou, permanecemos um do lado do outro, com nossas crises comuns em todos os relacionamentos, mas eu o escolhi e eu o amo.

No dia 23 de setembro Rayane e eu realizamos pelo Festival de Teatro de Alagoas – FESTAL a oficina de Contação de Histórias: “A história que há em mim, me leva a contar”. Foram quatro horas de aprendizado e a proposta da oficina é ouvir histórias, essas que existem em cada pessoa que estava presente e que mexe com suas memórias e relações até hoje. Para contar outra história é preciso revisitar as nossas primeiro, esse é um dos princípios que acreditamos.

A vivência na oficina me fez perceber muita coisa. Terminamos em lágrimas. As lágrimas eu não esperava, mas elas vieram por que precisavam contar alguma coisa.

Saí da oficina com o coração cheio de luz e esperança. Estava ali uma das respostas para tantas questões: A gente precisa contar a nossa história para que os que chegam depois não a engulam, não a façam parecer que nunca existiu, porque é assim que a gente vive hoje ou pelo menos os golpistas querem que a gente viva, como se não tivéssemos tido uma história.

Em abril desse ano Rayane e eu começamos a montagem do nosso novo espetáculo. Um infantil. Tivemos encontros, ensaios, leituras, mas tudo foi se engolindo por esse tempo estranho. Não desistimos da peça. Ela vai voltar no tempo dela, mas a necessidade que vinha gritando em meu peito era de responder a isso tudo. Como eu não sei ou não sabia. Passei muitos meses estudando sobre loucura, porque via nela uma saída para essa realidade que vivemos. Passei semanas refletindo sobre a ansiedade que toma conta dos nossos dias...

Essa semana depois de muito rabiscar papel surgiu uma provocação inicial. Levei para Rayane ler. Conversamos pouco no dia de hoje, mas ela já entendia o que aquilo queria dizer. Diferente de “Volante” que sai pelo mundo, agora a gente quer falar sobre a imobilidade, sobre o não conseguir sair do lugar, não saber o que fazer, não saber como enfrentar o inimigo. É um começo. Pode nem ser isso daqui pra frente, mas dentro de nós já começou.

Evoé!

Antes de terminar essa postagem uma amiga me marca no facebook numa noticia em que os deputados (que dizem sim “por deus, pela família, a moral e os bons costumes”) acabam de protocolar no dia de hoje um decreto para barrar o decreto que dá direito as pessoas transexuais de terem seu nome social. São tempos difíceis. Preciso ir pra rua. Preciso fazer teatro.

Outra coisa: A peça "Se os tubarões fossem homens" da Cia Ozinformais está em cartaz na nossa cidade. É um grito de esperança. Assistam.

Boa noite e 
FORA, TEMER!

Bruno
Abaixo registro da oficina pelas lentes de Thiago Sampaio (Cia do Chapéu)





19 maio 2016

Pequenas constatações aos 29 anos


O tempo passa.
O tempo pode se tornar eterno quando a gente quer e rápido quando a gente menos espera. "Ele não é uma coisa. É um senhor".
Desisto de bater o tempo "certo" das coisas. 
Crescer dói bastante. É clichê, mas é verdade pra mim.
Ninguém tem a obrigação de preencher o vazio do meu peito.
Tenho tido mais paciência para entender de onde vem a causa do medo, insegurança e ansiedade.
Não corro mais atrás do Coelho branco de colete e com relógio.
Corro à frente.
Há dez anos amor, para mim, era cereja do bolo.
Hoje amor é todo o bolo.
Eu encontrei um amor.
Tem pessoas que conheci em um dia e amo até hoje.
Tem pessoas que amei um dia, mas não sei em que mundos habitam hoje. 
Cresço e diminuo várias vezes ao dia.
Cresço e diminuo.
Diminuo e cresço.
Às vezes estou pequeno demais para alcançar a porta da saída.
Às vezes estou enorme e não caibo em mim.
Nunca gostei de ser homem. 
O que aprendi que era "ser homem" nunca me interessou, não gosto e não poderei ser.
Nunca fui adepto a relógio de pulso.
Nunca usei carteira de por documentos.
Nunca quis sequer tirar documentos.
Furei as duas orelhas de novo.
Comprei uma bicicleta de novo.
Perdi o meu pai muitas vezes ao longo da vida, mas no fim do ano passado foi sua partida.
Fechar os olhos e lembrar de coisas boas me ajuda a esquecer o medo.
Parei de fazer terapia.
Desisti do plano odontológico.
Desisti do curso de pandeiro.
Desistir me ajuda a saber que tem coisas que eu simplesmente não posso continuar.
Percebi que alguns erros simplesmente se repetiam nos últimos anos e que era hora de mudar a direção.
Ainda me pego errando as mesmas coisas.
O encontro é a melhor coisa da vida. Alguns nos fazem crescer, outros diminuir.
Não gosto da cantiga do "parabéns pra você"... Deve ser trauma...
Mudei de casa e cidade algumas vezes nos últimos anos.
Gosto de ficar em casa.
Gosto de sair de casa e observar a vida acontecer sem ser notado.
Tenho desejado não sumir nos últimos tempos.
Sou um péssimo taurino.
A vida é boa, mas às vezes corta sem dó o peito com sua faca afiada.
Tenho conhecido muita gente legal.
A vida me afastou de outras tantas que era necessário.
Vai ter sempre um novo amigo para encontrar. Nenhum amigo morre, mesmo que seja numa lembrança boa ele ou ela vai estar vivo.
Espero nunca mais fazer dieta. Prefiro a barriga.
O medo é uma coisa que morre fácil quando a gente o encara de frente.
Alguns medos não morrem, mas também não mordem.
Estou aprendendo a domar o medo.
Não sou o que quero ser. 
Nem sei precisamente o que quero ser.
Sou o que posso ser hoje...
Eu realmente não gosto de acordar cedo.
Prefiro quando chove.
Prefiro quando faz frio.
Prefiro café a qualquer momento.
Sucesso para mim é uma coisa diferente do que me disseram um dia.
Já fui católico, mas hoje não consigo seguir o compromisso com uma religião, qualquer que seja.
Deus é menos ruim, feio e assustador hoje.
Achei que não iria casar. Casei. 
Casamento não é o que me disseram. Que bom!
Esses manuais de instruções que nos dão quando vamos crescendo não servem pra nada. 
Tive que descobrir uma nova maneira de perceber as coisas, a minha. 
Sou tão falho que me surpreendo.
Sou tão cruel que não compreendo.
Sou tão fraco que me repreendo.
Carrego fracassos maravilhosos.
Hoje eu não tenho carro, não tenho casa e nem um trabalho fixo e vou muito feliz.
Não tenho mais pressa em terminar a faculdade, alias, se eu tivesse um filho diria para ele descobrir a leitura do mundo primeiro.
Está na hora de terminar a faculdade e encerrar esse ciclo.
Gosto de ficar sozinho. Aprendi a vencer o medo de estar sozinho comigo. 
Preciso pelo menos uma vez ao dia estar sozinho comigo.
Gosto de andar de ônibus em silêncio. Entrar e sair sem nada acontecer a não ser o movimento da paisagem nos meus olhos.
Continuo a evitar filas.
Não sou e nunca fui um bom consumidor. Odeio shopping center.
Tenho mais cachorros e gatos do que aos 20.
Tenho menos expectativas do que aos 15. Isso é bom para mim.
Fico em silêncio mais por preguiça de responder.
Acho que os que têm certeza das coisas são maravilhosos. Só não acredito neles.
Prefiro escutar.
Prefiro olhar no olho.
Prefiro um abraço.
Prefiro sorrir.
Estou aprendendo a levar as coisas com leveza, mas às vezes tudo dói.
Hoje pensei em ter um filho, às vezes eu penso, mas passa e volta de vez em quando.
Gosto mais de sexo hoje.
Reaprendi a amar minha cidade natal.
Estou me sentindo mais seguro hoje. Espero que dure até amanhecer.
Estou aprendendo a me amar.
Acho à espera do reconhecimento do outro frustrante.
Gostaria de não esperar isso ao longo da minha vida.
Plantei ervas e coisas verdes no quintal.
Gosto de ficar na rede, como agora.
Gosto de ficar com o pé no chão.
Gosto de fazer carinho em terra.
Gosto de som de chuva e cheiro de terra molhada.
Silêncio é presente. Silêncio é coisa muito boa.
Gritar eu preciso todo dia.
Minha maior felicidade clandestina é comer torta de chocolate com refrigerante no Danúbio.
Prefiro o gosto salgado na boca.
Não gosto de novela, séries ou coisas que durem temporadas e capítulos intermináveis, mas às vezes sou surpreendido e assisto até o fim.
Nao tenho medo do fim.
As coisas duram o tempo que tem que ser.
As coisas acabam.
A vida é recomeço. Reinvenção.
Assisto tv cada vez menos, por decepção.
Vicio -me em qualquer reality show, por isso evito.
Prefiro a raiva do que a indiferença.
Prefiro o sim e o não.
Prefiro o amor.
Tenho cada vez menos certezas.
Tenho cada vez mais dúvidas.
Disseram-me para eu aprender a me perdoar. 
Culpa é coisa ruim.
Arrependo- me de muitas coisas que fiz, arrependo-me muito, 
mas eu me perdoo.
Sigo errando até acertar.
Metas para os próximos anos:
Fazer uma tatuagem,
Comprar uma Kombi e
Deixar o cabelo crescer.
Não sou maduro o suficiente.
Não sou seguro o suficiente.
Não sou honesto o suficiente.
Não sou tantas coisas. 
Sou outras tantas.
Não sei quem sou.
Bruno.
(Há dez anos escrevi um texto com essa narrativa. Não fosse a forma em nada lembraria o de agora. Gratidão pelas mensagens. Destaco o desenho da linda camisa do Heteaca Costumizacoes de Camisetas de Gessyca Geyza)

17 maio 2016

Recomeços e Continuidades - Em processo/2016


Registro de Nivaldo Vasconcelos
Hoje Rayane e eu retomamos um processo que ficou guardado nos últimos meses.
Dia de reencontrar as possibilidades e se permitir recomeçar.
Foi dificil recomeçar, porque nos últimos meses tenho buscado entender a identidade do coletivo, seus objetivos, sua linguagem dentro desse universo todo. Mas as respostas não são necessárias agora, as perguntas são fundamentais.
Cada coisa no seu tempo. E em tempos dificeis a gente busca uma viagem pela nossa aldeia.
Foi dia de respirar fundo e dizer: vamos lá!
De pandeiro na mão e pés amolegando esse chão duro a gente vai se descobrindo e se permitindo, devagar, com cuidado, em silêncio e com muito barulho às vezes.

Beijo
B.

15 março 2016

"Volante" no Palco Giratório 2016

   O Palco Giratório está chegando em Alagoas!
   Somos convidados do SESC-AL representando a cena local.

   Uma honra! 

   Muita alegria!

   Aguardem a programação completa do festival aqui em Maceió.

Divulgação SESC - AL

11 março 2016

Sala de Ensaio/2016

  Agora no mês de março o espetáculo “Volante” vai completar um ano de estreia.
  De lá para cá muitas foram as descobertas, muitas formas de encontros, momentos de rejeição a construção, momentos de reencontro, momentos de abandono, momentos de renascimento.
  Esse ano de 2016 o espetáculo retoma caminhos e parte em busca de novas descobertas e espaços.

Montagem de Elton Nascimento a partir das fotos de David e Diego.
  Essa semana retornei a sala de ensaio. Ano passado foram salas/becos/praças de ensaio.
  Comecei essa semana com os ensaios aqui em casa mesmo. Reorganizei o cronograma para manter o ritmo de ensaios e ensaiar praticamente todos os dias. Tive a presença e acompanhamento nessa primeira semana de Rayane Wise e Nivaldo Vasconcelos. Os ensaios ocorreram sem os músicos, pois era preciso tempo para a repetição e reconstrução das cenas. Ano passado tínhamos nossos ensaios conjuntos e ensaios separados para trabalhar com mais detalhes questões especificas do espetáculo.
  Hoje, dia 11, aconteceu o nosso “ensaião”. Juntos na sala de ensaio, músicos e eu. Passamos um tempo afastados por conta de agendas e nossos últimos encontros e conversas virtuais eram para tratar de questões burocráticas, trocar informações e sugestões de referências musicais, visuais e escritas para o fortalecimento do espetáculo.

  Hoje voltamos juntos a sala de ensaio!




  O processo do espetáculo se deve bastante a música, pois foi construído com uma dramaturgia que diáloga com música, palavra e corpo. Esses dois músicos queridos, Elton Nascimento e Felipe de Alencar, foram meus grandes apoiadores dentro dessa sala de ensaio e exerceram um papel importante nos direcionamentos e dramaturgia de ator.
  Recebemos hoje no ensaio Elaine Lima e David de Oliveira (Clowns de Quinta) e Diego Januário. Essas presenças foram muito importantes, devo a eles o registro fotográfico e o olhar crítico sobre a obra.
  Elaine me trouxe muita segurança ao me apontar caminhos. Via em sua presença uma oportunidade de fortalecer pontos e dar mais atenção a outros. 
  Ao final do ensaio em conversa com Diego ele me trazia apontamentos muito importantes, visto que ele é de Dança Licenciatura e traz uma visão diferente para o corpo na cena. David seguiu registrando em fotografias o que por ali visualizava.Faltou energia e eles carinhosamente cederam as lanternas dos celulares para que o ensaio prosseguisse. 
  Eu agradeço imensamente a disponibilidade e olhares atentos sobre o espetáculo. Grato pela luz que nos trouxeram!
 Terminamos o ensaio empolgados. Dava pra sentir a vontade que se reascendia em nosso peito. É tão bom quando isso acontece, porque na maioria das vezes eu me cobro tanto que acabo não enxergando as coisas boas que acontecem, imagino que eu esteja aprendendo a me perdoar e deixar as coisas fluírem com mais leveza. Como é bom!
  A sala de ensaio (casa de ensaio, no meu caso na maior parte da semana) é muito importante. Voltar a ela é uma oportunidade de amadurecer a obra. A repetição, o reencontro com a música, a criação de novas músicas, a  inserção dos conhecimentos adquiridos com Tiche Viana (Barracão Teatro) na Oficina “O Ator e a Máscara” se fez muito presente nesse repertório corporal que se permite redescobrir.
  Os ensaios, as trocas, as visitas de amigxs continuarão. “Volante” volta a fazer suas primeiras apresentações de 2016 agora no mês de abril, mas as informações eu passo mais adiante.
  Agora eu quero mais é buscar esse encontro com as novas possibilidades, novos olhares e novas experiências. 
 Sigamos meninos! Que a estrada é longa e divertida quando se está em boa companhia. 
  
  Gratidão!

  Abaixo um registro de David de Oliveira e Diego Januário