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15 março 2016

"Volante" no Palco Giratório 2016

   O Palco Giratório está chegando em Alagoas!
   Somos convidados do SESC-AL representando a cena local.

   Uma honra! 

   Muita alegria!

   Aguardem a programação completa do festival aqui em Maceió.

Divulgação SESC - AL

11 março 2016

Sala de Ensaio/2016

  Agora no mês de março o espetáculo “Volante” vai completar um ano de estreia.
  De lá para cá muitas foram as descobertas, muitas formas de encontros, momentos de rejeição a construção, momentos de reencontro, momentos de abandono, momentos de renascimento.
  Esse ano de 2016 o espetáculo retoma caminhos e parte em busca de novas descobertas e espaços.

Montagem de Elton Nascimento a partir das fotos de David e Diego.
  Essa semana retornei a sala de ensaio. Ano passado foram salas/becos/praças de ensaio.
  Comecei essa semana com os ensaios aqui em casa mesmo. Reorganizei o cronograma para manter o ritmo de ensaios e ensaiar praticamente todos os dias. Tive a presença e acompanhamento nessa primeira semana de Rayane Wise e Nivaldo Vasconcelos. Os ensaios ocorreram sem os músicos, pois era preciso tempo para a repetição e reconstrução das cenas. Ano passado tínhamos nossos ensaios conjuntos e ensaios separados para trabalhar com mais detalhes questões especificas do espetáculo.
  Hoje, dia 11, aconteceu o nosso “ensaião”. Juntos na sala de ensaio, músicos e eu. Passamos um tempo afastados por conta de agendas e nossos últimos encontros e conversas virtuais eram para tratar de questões burocráticas, trocar informações e sugestões de referências musicais, visuais e escritas para o fortalecimento do espetáculo.

  Hoje voltamos juntos a sala de ensaio!




  O processo do espetáculo se deve bastante a música, pois foi construído com uma dramaturgia que diáloga com música, palavra e corpo. Esses dois músicos queridos, Elton Nascimento e Felipe de Alencar, foram meus grandes apoiadores dentro dessa sala de ensaio e exerceram um papel importante nos direcionamentos e dramaturgia de ator.
  Recebemos hoje no ensaio Elaine Lima e David de Oliveira (Clowns de Quinta) e Diego Januário. Essas presenças foram muito importantes, devo a eles o registro fotográfico e o olhar crítico sobre a obra.
  Elaine me trouxe muita segurança ao me apontar caminhos. Via em sua presença uma oportunidade de fortalecer pontos e dar mais atenção a outros. 
  Ao final do ensaio em conversa com Diego ele me trazia apontamentos muito importantes, visto que ele é de Dança Licenciatura e traz uma visão diferente para o corpo na cena. David seguiu registrando em fotografias o que por ali visualizava.Faltou energia e eles carinhosamente cederam as lanternas dos celulares para que o ensaio prosseguisse. 
  Eu agradeço imensamente a disponibilidade e olhares atentos sobre o espetáculo. Grato pela luz que nos trouxeram!
 Terminamos o ensaio empolgados. Dava pra sentir a vontade que se reascendia em nosso peito. É tão bom quando isso acontece, porque na maioria das vezes eu me cobro tanto que acabo não enxergando as coisas boas que acontecem, imagino que eu esteja aprendendo a me perdoar e deixar as coisas fluírem com mais leveza. Como é bom!
  A sala de ensaio (casa de ensaio, no meu caso na maior parte da semana) é muito importante. Voltar a ela é uma oportunidade de amadurecer a obra. A repetição, o reencontro com a música, a criação de novas músicas, a  inserção dos conhecimentos adquiridos com Tiche Viana (Barracão Teatro) na Oficina “O Ator e a Máscara” se fez muito presente nesse repertório corporal que se permite redescobrir.
  Os ensaios, as trocas, as visitas de amigxs continuarão. “Volante” volta a fazer suas primeiras apresentações de 2016 agora no mês de abril, mas as informações eu passo mais adiante.
  Agora eu quero mais é buscar esse encontro com as novas possibilidades, novos olhares e novas experiências. 
 Sigamos meninos! Que a estrada é longa e divertida quando se está em boa companhia. 
  
  Gratidão!

  Abaixo um registro de David de Oliveira e Diego Januário
















18 março 2015

Volante somos nós

São dos olhos, mãos, corpos e corações pulsantes dessas pessoas que nasce o espetáculo.



Bruno Alves - Dramaturgia e Atuação


Felipe de Alencar - Música Original


Elton Nascimento - Música Original


Rayane Wise - Maquiagem

Nivaldo Vasconcelos - Fotografia,
 e em conjunto com Bruno Alves assina os adereços e figurino.


Nathaly Pereira - Provocação Teatral






05 fevereiro 2015

17 novembro 2014

Vista Volante: Campanha para Figurino.

Oi pessoal!
Já começamos a estudar o figurino do espetáculo e experimentar possibilidades de cores e texturas.
Ando me permitindo experienciar e experimentar essas possibilidades, afinal já me dizia o Professor Acioli: "Experimente! Traga os dramas desses personagens para o figurino".
Precisamos do material abaixo para impulsionar esse processo. É simples e deve estar bem perto de você aí na sua casa ou na casa da tia, vó, primo... Ajuda a gente a vestir esse volante.
Lembrou que tem algum dos itens me avisa!
Entra em contato por:
alvesbrunobr@gmail.com
Mensagem ou comentando aqui.
Muito obrigado!

Arte: Nivaldo Vasconcelos

17 outubro 2014

Escrevendo para entender

Inicialmente o elemento que despertava interesse ao processo era a carroça utilizada por catadores para reciclagem na cidade de Maceió. Nesse meio havia também questões da confusão, cidade grande, congestionamento, ritmo acelerado, pessoas invisíveis, dentre outras. Ao conversar com Felipe de Alencar discutíamos sobre desigualdade e condições de vida na capital alagoana.

Encontrando caminhos...

O primeiro momento de busca textual era composto por poemas que tratavam do ser humano e sua relação com a cidade, com a vida, com as idas e vindas e os encontros e desencontros. Não havia uma ordem de texto, mas um arquivo com poemas de Florbela Espanca, Mário Quintana, Fernando Pessoa, João Cabral de Melo Neto, Sophia de Mello Breyner e Manoel de Barros.
Passei a observar e conversar com os senhores catadores de lixo e descobri que a carroça ganhava um significado mais amplo e mais coletivo, porque é ela um elemento que junta coisas, leva para outros lugares e é puxada por homens e mulheres. Carroça para mim, durante o processo dramatúrgico, tornou-se um simbolo de alma e passado. Coisas que todos carregamos, mesmo que abandonemos pelo caminho para esvaziar e pesar menos para seguir adiante.
Felipe de Alencar me apresentou músicas, tocou para mim e me falava da poesia que queria despertar no público. Falava de trazer questões sociais, mas também de levar a poesia da vida que passa despercebida aos nossos olhos.
Logo após essa primeira conversa ao som de músicas que despertavam sentimentos em Felipe voltei para casa com a sonoridade ainda acesa dentro de mim. Comecei a escrever questões até autobiográficas como alguém que trás a carroça cheia e precisa esvaziar. Como alguém que precisa se entender nesse processo todo.
Surgiu a segunda proposta de um texto dramatúrgico, desta vez com um personagem e a citação dos poemas referências ao longo do texto ainda sem cenas e indicações. Os textos que serviram de base para esse primeiro momento de esvaziamento foram textos de Fernando Pessoa, Mário Quintana, José Saramago, Herman Hesse e João Cabral de Melo Neto, além de músicas como “Estrela, Estrela” de Vitor Ramil que foram trazidas por Felipe durante as conversas.
Marcamos uma leitura e logo após a leitura Felipe de Alencar falou suas inquietações, acabou achando o texto muito denso e triste e imaginava uma estética mais Armoreal com personagem mais popular, esperto, confiante e com fé na vida. O “João Grilo” e outros personagens de Ariano Suassuna eram fortes na memória de Felipe e do que ele esperava para o espetáculo. Trouxe mais propostas sonoras e marcamos mais uma leitura com a presença de Elton Nascimento.
A chegada de Elton Nascimento trouxe mais riqueza de ideias e vivências pessoais. Era o encontro de um estudante de teatro com dois estudantes de música que começava a trilhar caminhos cada vez mais inesperados.
Quando li a primeira cena em nosso terceiro encontro, os músicos atuadores começaram a compor uma música, pois decidiam que iriam apostar na música autoral como forma de facilitar o processo de circulação do espetáculo no futuro. Ao ouvir a primeira música composta para a primeira cena despertou uma sensação de confusão interior, pois essa era uma música que tratava de esperança e  felicidade, porém apresentava uma sonoridade que se repetia e parecia nunca ter fim. Foi este o mote para a terceira proposta do texto. Um personagem “Armoreal”, "Quixoteano",  com essências da Commédia Dell ‘ Arte, que com sua carroça vive a busca de procurar a felicidade pelo mundo num circulo que nunca tem fim, assim como a nossa busca cotidiana.
Severino foi o nome escolhido para o nosso anti-herói, pois sua maior referência já vinha se anunciando ao longo do surgimento do texto ao se ter “Morte e Vida Severina” como leitura. No entanto, esse Severino é um alagoano, não muito diferente do Severino de João Cabral, nem dos tantos Severinos existentes pelo Brasil. Carrega como marca a esperança, a alegria e a inocência de quem inventou um mundo para si.

Segundo Luis Alberto de Abreu:
O texto dramático não existe a priori, vai sendo construído juntamente com a cena, requerendo, com isso, a presença de um dramaturgo responsável, numa periodicidade a ser definida pela equipe”

Em Volante tínhamos em comum o interesse pelo elemento da carroça de reciclagem. Eu, enquanto ator-criador, me propus a direcionar a dramaturgia textual tentando dialogar inquietações pessoais com inquietações coletivas e mesmo apresentando uma proposta inicial de texto, este foi modificado em todos os encontros que tivemos ao longo das últimas semanas. Ganhando assim, uma nova forma e um novo direcionamento. Vale ressaltar que mesmo se modificando em cada encontro o texto do espetáculo vai mantendo a mesma essência da inquietação inicial e hoje no sexto encontro continua tratando da relação do ser humano com o espaço físico e suas relações ao longo da vida. O interessante é que a essência permanece e o que se modifica é o personagem e as cenas que vão surgindo ao longo dos encontros e amarrando ainda mais o que é definido pela equipe.
Os músicos-atuadores ao longo do processo estão cada vez mais próximos do personagem e apresentam-se como personagens da história que guiam com sua música Severino pelo mundo dos sonhos que ele criou para suportar a fome, o frio e a indiferença.
Elton Nascimento, nos nossos encontros no mês de junho, me propôs que pesquisássemos exercícios que trabalhassem a questão da voz do ator na música. Fizemos nesse mesmo dia o exercício de falar o texto de acordo com o ritmo da música, depois acompanhar as pulsações da canção com movimentos no próprio corpo.
A música vem ao longo do processo descobrindo seu espaço, sendo uma elemento que joga com o ator. Esse exercício do ator jogar com a música e a música jogar com o ator tem se mostrado evoluindo ao longo do processo, pois no nosso sexto encontro já notavámos a necessidade de marcar o espaço, fluir a cena de acordo com a musicalidade e a musicalidade fluir de acordo com a métrica do texto, quando for o caso.
Vamos caminhando... Vamos escrevendo para entender o espetáculo, experienciando para sentir a nós mesmos e o mundo ao redor.

Bruno Alves da Silva
(Escrito em 02 de julho de 2014.)
Referência

ABREU, Luis Alberto de. Processo colaborativo : relato e reflexões sobre uma experiência de criação. Cadernos da ELT, Santo André, v.1, n.0, p. 33-41, mar. 2003.