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06 novembro 2018

Oficina de Palhacaria com Ésio Magalhães

Através do SESC Alagoas participamos de uma oficina de palhaçaria com Ésio Magalhães no último sábado, dia 03 de novembro.
A oficina faz parte do projeto "Gesto" que estará acompanhando o grupo Clowns de Quinta.

Palhaços e Palhaças



20 julho 2018

Coletivo Volante no Sesc Confluências

Estamos entre os/as 20 artistas selecionados para participar do projeto "Confluências"do @sescalagoas 
Hoje iniciamos uma imersão na cidade de Marechal Deodoro rumo a uma jornada de aprendizados e construções coletivas.




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07 junho 2018

Coletivo Volante de Teatro na ALDEIA TREME TERRA!



Via 
SESC ALAGOAS

Para estimular a produção e o consumo dos bens culturais, promovendo o encontro e o diálogo entre os artistas de todo o país, e público, o Sesc traz a Aldeia Treme Terra - Mostra de Arte e Cultura no período de 14 a 17 de junho, no município de Penedo.

A programação apresenta sete espetáculos de grupos locais e estaduais, além da “Exposição do Santeiro – Timaia” e ações formativas, gratuitas, para os interessados em aprimorar suas vocações artísticas.

A abertura oficial da Aldeia será dia 14, às 19h, no Teatro Sete de Setembro, com o espetáculo “Cordel do Amor Sem Fim”, da Cia Maria Dengosa/AL, finalizando a noite com o grupo musical Banda de Pífano – Cícero Lino.

Homenagem:

O nome Aldeia Treme Terra está sendo uma homenagem ao Mestre José Eduardo Salvador, cidadão honorário penedense, por tamanha dedicação, onde confeccionou a próprio punho as indumentárias desse folguedo, marca registrada no Estado. Figura importantíssima na luta pela conservação da arte e cultura de Penedo.


Sobre a ALDEIA:

As Aldeias são mostras de arte e cultura organizadas pelos Departamentos Regionais do Sesc durante a passagem de espetáculos do Palco Giratório por seus estados, de modo a possibilitar que os trabalhos, selecionados pela Curadoria Nacional, dialoguem com a produção local.



Programação

14/06 Quinta

19h - Abertura Oficial

20h - CORDEL DO AMOR SEM FIM
Cia Maria Dengosa – Penedo AL
Teatro/60 min/12 anos
Theatro Sete de setembro

21h - Abertura da EXPOSIÇÃO DO SANTEIRO “TIMAIA”
Hall do Theatro Sete de Setembro
Escultura em madeira/Livre
Visitação De 14 a 22 de junho das 08h às 12h e 14 às 17h

21h - BANDA DE PÍFANO DO CICERO LINO
Musica/60min/livre
21h no Hall do Theatro Sete de Setembro

15/06 Sexta

18H - INCELENÇA
Coletivo Volante – AL
Teatro/50 min/14 anos
Casa da Aposentadoria

20h - DANÇA ANFÍBIA
Cia dos Pés – AL
Dança/50 min/18 anos
Theatro Sete de Setembro

16/06 Sábado
13h30 - GUERREIRO TREME TERRA
Folguedo/60min/livre
Em frente à Igreja de São Gonçalo

20h - DESASTRO
Associação Conexões Criativas– BA
Dança Infantojuvenil/50 min/livre
Theatro Sete de Setembro

17/06 Domingo

19h - REMENDÓ
Flor do Sertão – AL
Teatro Infantil/40 min/livre
19h no Theatro Sete de Setembro

AÇÕES FORMATIVAS

Residência Cênica: Do Treinamento à Criação com Gessyca Geyza - PE
Público-alvo: Atrizes/atores e interessados
15 e 16 de junho, das 09h às 18h
Vagas: 20
Ementa: Do Treinamento à Criação propõe um laboratório de investigação do trabalho da atriz e do ator através do treinamento energético, considerando-o um caminho para descobertas e autonomia na criação, dilatando o corpo-mente para a construção de um repertório de ações físicas e vocais apoiadas em princípios como impulso, dilatação, equilíbrio, ritmo e forças de oposição.

OFICINA DE SUPER PODERES com a Associação Conexões Criativas (BA)
Público alvo: GRUPOS ADULTOS INTERESSADOS EM TRABALHAR COM CRIANÇAS: oficina com adultos que se interessem por trabalhos de arte para crianças (professores e educadores)
15 de junho, das 10h às 18h
Vagas: 20
Ementa: Quais heróis você monta diariamente para que seja possível seguir adiante? Quais super poderes, sensibilidades, armas, ferramentas, táticas, mutações, incorporações você realiza para continuar se movendo?
Essas e outras perguntas motivam a “Oficina de Super Poderes” a realizar um mergulho - ou um vôo - para dentro de cada participante, por meio de práticas de autopercepção e auto-ficcionalização, organizadas como experimentações performáticas e jogos fantasiosos. A oficina acessa o universo infanto-juvenil em suas várias plataformas artísticas - cinema, dança, HQ etc. - para propor encontros com crianças, adolescentes e adultos, especialmente com pessoas que trabalham com/para o público infanto-juvenil - sejam professores, artistas, psicólogos, entre outros.

02 abril 2018

"Incelença" no Palco Giratório 2018

Estamos muito felizes em compor a programação local do projeto Palco Giratório.
Um projeto do SESC que difunde e amplia os diálogos nas artes cênicas do Brasil.
Esse espaço é importante para artistas e para o público.
Participe da programação! Acompanhe o trabalho de diversos grupos e artistas do Brasil.
Gratidão Sesc - AL pela oportunidade de fazer parte dessa etapa local.
Viva as artes cênicas!




31 março 2018

Vai começar o Palco Giratório em Maceió!







Consolidado no cenário cultural brasileiro, o Palco Giratório 2018 chega a Maceió no período de 01 a 07/04 promovendo diversas manifestações culturais, indo além de entretenimento. Sua essência se caracteriza na valorização ao artista, ao debate, a reflexão e o diálogo entre criadores e espectadores, promovendo o intercâmbio, a democratização ao acesso à cultura e a formação de plateia.

Nesta 21ª Edição, nas capitais e no interior do País, serão 625 apresentações artísticas por meio do teatro, dança, circo, intervenção urbana, performance, e mais de 1.600 horas de oficinas, além de debates e mesas-redondas. Dois grupos artísticos de Alagoas participam pela primeira vez como indicados para a circulação nacional: Cia dos Pés de Maceió, e a Turma do Biribinha de Arapiraca.

Em Maceió, o projeto ficará por sete dias com espetáculos dos mais variados gêneros de artistas do Rio de Janeiro, Paraná, Sergipe, Pernambuco e Alagoas.

As apresentações serão gratuitas, realizadas entre espaços públicos e fechados. Para os espaços fechados, as senhas serão entregues uma hora antes de cada apresentação, com limitação conforme acomodações dos espetáculos e espaços.




Programação:


AÇÕES FORMATIVAS
*Inscrições gratuitas na Coordenação de Cultura – Sesc Centro 3201-1376

Data
02 e 04/04  Sala de Dança do Complexo Cultural - Teatro Deodoro Triste Figura Oficina Grupo Teatral Boca de Cena – SE Para atores e não atores
Horário:das 10h às 14h
Local:Sala de Dança do Complexo Cultural - Teatro Deodoro
Título:Triste Figura
Ação:oficina
Grupo:Grupo Teatral Boca de Cena – SE
Público-alvo:Para atores e não atores
Duração: 8h

04/04
Horário: 16h
Local: Musicoteca – Sesc Centro
Título:Na margem da Cidade
Ação:Pensamento Giratório
Grupo:Cia Marginal – RJ
Público-alvo:Público em geral
Duração: 1h


Horário:05 e 06/04
Horário: 10h às 14h
Local:Teatro de Arena
Título:Segunda pele
Ação:Oficina
Grupo:Coletivo Lugar Comum - PE
Público-alvo: Maiores de 18 anos
Duração: 8h

07/04
Horário:das 10h às 17h
Local:Sala preta (Espaço Cultural – Praça Sinimbu)
Título:Cartografia do instante: treinamento para performace
Ação:Oficna
Grupo:Flavia Pinheiro – PE
Público-alvo:Para dançarinos
Duração: 06h


APRESENTAÇÕES ARTÍSTICAS

Avelha
Ivana Iza -AL
Teatro/70 min/12anos
01/04, 19h, Sala Preta, Espaço Cultural – Praça Sinimbu
Sinopse
Através do tema da velhice, a peça trata de questões ligada à memória, ao esquecimento e à imaginação. Em cena, Ivana interpreta uma atriz que, envelhecida, vê a si mesma solitária e confusa, a rememorar sua carreira como atriz e a relação com o filho, enquanto comenta sobre o envelhecer do corpo do artista e as suas relações familiares.

Concerto em Ri Maior
Cia dos Palhaço - PR
Circo/70 min/Livre
02/04, 19h, Arte Pajuçara
Sinopse
Uma comédia musical que surgiu em 2005 a partir de jogos de improvisação do palhaço com a música. No espetáculo, o maestro e palhaço Wilson Chevchenco apresenta um concerto baseado em sua origem russa e conta com a ajuda de Sarrafo, seu fiel amigo, para executar as obras de sua família e ser compreendido pela plateia, já que não fala o idioma português.

Os cavaleiros da triste figura
Grupo Teatral Boca de Cena – SE
Rua/60 min/Livre
03/04, 16h, Estacionamento do Complexo Cultural Teatro Deodoro
Sinopse
O espetáculo Os cavaleiros da triste figura é o resultado do encontro cênico do Grupo Boca de Cena e seus colaboradores, com a literatura de Miguel de Cervantes. Livremente inspirado em Dom Quixote de La Mancha, a história que pretende-se retratar, extrapola a literatura e se contamina por toda a realidade circundante, em forma de sonho (ou delírio). Sediado no bairro do Bugio, periferia de Aracaju, SE, no nordeste do Brasil, esse coletivo teatral contradiz o duro normativo da realidade e ergue com recursos próprios a sua sede, onde realiza suas atividades teatrais, construindo fábulas e compartilhando-as com o entorno proletário. Nesses termos, a temática definida para a respectiva produção, não denota apenas uma escolha mas um encontro conceitual. Trata-se de um espelhamento artístico onde Dom Quixote ilumina o Boca de Cena ao mesmo tempo que o grupo espelha e atualiza o texto clássico em todas as suas instâncias, dentro e fora da cena. Neste Dom Quixote, denominado Os cavaleiros da triste figura, um grupo de atuadores, em praça pública, insiste em instaurar suas histórias. Desfazendo-se e reinventando-se a cada golpe, permeados por loucuras e delírios, personas alimentam um desejo excêntrico, cada vez mais desacreditado: transformar o mundo!

Segunda pele
Coletivo Lugar Comum - PE
Dança/70 min/16anos
04/04, 18h, IPHAN – Jaraguá
Sinopse
Quantas peles habitam nosso corpo? Pêlo, casca, casa, cidade, olhar, pudor, prazer, cortes, avessos, toques, sorrisos, sons, leite, vento, chuva, memórias. O espetáculo Segunda Pele leva para cena corpos em troca de peles, em transformação, em desnudamentos. Movimentando entendimentos sobre a diversidade de corpos, pelas infinitas possibilidades do ser, e por tudo que ainda precisa ser discutido sobre padrões vigentes em nossa sociedade. Peles que escamam ao longo da cena, revelando histórias, corpos e experiências de vida das quatro dançarinas do elenco. Criado em 2012, o espetáculo foi recriado em 2016, com nova pele, novas vestes e novos desnudamentos em cena, ampliando o mergulho experimentado na montagem anterior.

Incelença
Coletivo Volante – AL
Teatro/50 min/ 14 anos
04/04, 20h, Espaço Cultural – Praça Sinimbu
Sinopse
A partir dos dados do Mapa da Violência em Alagoas, o Coletivo mergulha na história de mães que perderam seus filhxs.
Corpos de atrizes e atores são instrumentos de propagação dessas histórias.

Eles não usam Tênis Naique
Cia Marginal – RJ
Teatro/75 min/14 anos
05/04, 19h, Sala Preta, Espaço Cultural – Praça Sinimbu
Sinopse
Ambientado numa favela do Rio de Janeiro, ELES NÃO USAM TÊNIS NAIQUE narra o reencontro de um pai e uma filha que não se viam há muitos anos. Ele foi traficante nos anos 80, quando o comércio ilegal de drogas ainda mantinha um vínculo moral com a comunidade, ela é uma jovem traficante nos dias atuais. O espetáculo gira em torno de um embate ideológico entre os dois personagens, representados em cena por quatro atores que se alternam sucessivamente nos dois papeis, num jogo cênico em que nenhuma posição é fixa e onde a ficção está sempre sob o risco da realidade.


Como manter-se vivo
Flavia Pinheiro – PE
Dança/50 min/livre
06/04, 19h IPHAN – Jaraguá
Sinopse
Como manter-se vivo? investiga a urgência de permanecer em movimento como um procedimento de sobrevivência. Um questionamento de como nos relacionamos com a imaterialidade das relações propostas pelos dispositivos e a certeza da nossa impermanência. Como continuar em movimento? Como resistir ao desequilíbrio e a instabilidade da existência? Como persistir no tempo? Uma prática circular que por não desistir sucumbe a falha eterna e inerente da matéria. O colapso da própria vida/arte na ausência de um perspectiva de futuro do fazer/ser em dinâmica em uma conjuntura estática, monitorada, programada….até o dia em que os robots incorporam melhor que nós humanos, a nossa própria humanidade.

Entre Rio e Mar Há Lagoanas
Coletivo Heteaçã – AL
Teatro/60 min/16 anos
07/04, 19h, Teatro de Arena
Sinopse
Sobre as mulheres que crescem ao redor da Lagoa.
Sobre as mulheres que fomos, que somos e sobre as mulheres que queremos ser.
Uma Mulher nos conta a origem da Lagoa, as mudanças e como ela cresceu ali, Entre o Rio e Mar Há Lagoanas é uma fábula que recria o nascimento da Lagoa através do cotidiano e da memória de mulheres que cresceram as suas margens e dentro dela.

Serviços:
Palco Giratório 2018
Período: 01/04 a 07/04
Local: Maceió
Tel.: (82) 3201-1376
www.sescalagoas.com.br

24 dezembro 2016

CRÍTICA: Espetáculo "Volante" - Por Wanderlândia Melo

O Coletivo Volante
Espetáculo Volante-AL, Projeto SESC Palco Giratório 2016- Maceió- AL.
Por Wanderlândia de Melo Barbosa.

Resumo: O texto pretende entender o espetáculo Volante do Coletivo Volante sediado em Maceió Alagoas, que durante o Projeto Palco Giratório- SESC-AL foi convidado a representar o estado nessa programação de 2016. O texto também aborda uma síntese da trajetória do trabalho Volante. 

“De uma coisa eu tenho certeza, a gente nasce sabendo que 
vai morrer uma vez na vida, mas todo dia não.”
Volante, Coletivo Volante. 


Foto de Nivaldo Vasconcelos

Em 2014, em Maceió, produzindo o I Encontro de Palhaços de Maceió do Grupo Clowns de Quinta do qual atualmente faço parte, assisti um ensaio aberto do Volante espetáculo do Coletivo Volante com o ator Bruno Alves que também estava na programação, ensaio que o próprio Bruno Alves afirmava que era o primeiro trabalho do coletivo e também seu primeiro solo e que o espetáculo e ele estavam em processo de descobrir e experimentar possibilidades. 
Procurando o significado da palavra volante no Aurélio, descubro que: 1.V. voador. 2. Flutuante; ondulante. 3. Que pode mudar facilmente. 4. Transitório; efêmero. O Aurélio me traduz o que quero relembrar do ensaio aberto de 2014, para apresentação dois anos depois, no Projeto Palco Giratório 2016 edição Maceió- AL, entre esse dois anos pude assistir duas vezes esse espetáculo, onde percebo que o que foi alterado foi o cenário e consequentemente a encenação, o que antes possuía uma carroça enorme, na apresentação do SESC já não mais utilizada da forma que era. 
Para descobrir possibilidades para um espetáculo acredito que seja necessário praticar, e que se tenha oportunidade de experimentar em diversos espaços e/ou diversos públicos. E acompanhando o Coletivo com a ferramenta da página virtual e em conversa com o ator Bruno Alves, realmente foram diversos os espaços ocupados: Pátio, praças, quadras, beco e rua. 
Mas para edição do projeto, o SESC, dá um novo desafio a ser assumido pelo coletivo, ocupar um palco no modelo de Palco Italiano. E pela segunda vez o ator Bruno Alves declarou mais uma primeira vez, ter apresentado o espetáculo Volante em palco Italiano. 
Esse espetáculo tem três artistas, dois músicos e um ator, que juntos contam a história de um viajante, talvez um lunático, talvez um louco mas pra mim um poeta simples que nos vem pra contar suas história que verdade ou não foram vividas e isso já basta. 
A dramaturgia também de autoria de Bruno Alves, que relata que foi construída nas salas de ensaios e em ensaios fora de sala, onde os músicos com músicas, que não necessariamente está no espetáculo, foi um dos motes para a criação da mesma. 
Nesse percurso o personagem Severino, que não é Severino da rua de baixo, nem Severino de dona Maria só Severino, nos leva para lugares que hora está no passado, referente á história narrada, e hora nos traz para o presente, lugar do dialogo com a plateia. 
Caminhamos junto com Severino até o topo de uma montanha em busca do sol, para uma cidade de injustos consumidores de plástico; nadamos e provamos que precisamos repensar essa violenta maneira de querer resolver as coisas, com uma pecheira na cintura; e conhecemos Caetana que nem convidada foi, mas queria a desistência de quem acorda todos os dias na esperança de encontrar com a felicidade, que pode acontecer caso esteja em um baú em baixo de nós, mas como o enigma de encontrar a felicidade nunca é fácil então vamos evitando o encontro com Caetana. 
Entre o presente de Severino com o encontro com público e o passado historia narrada por ele é que encontramos em comum a música que antes mesmo de se tornar algo que complementar as histórias narradas, ocupando a pausa que há no silencio, ela é dialogo. O Severino enxergar os músicos e junto são cumplices, entre músicas e histórias narradas, chegam de povos em povos convencendo que aquilo tudo, aquelas prosas todas são verdades. 



A caixa cênica proporciona vários artifícios estéticos que por inúmeras questões que possa eu deduzir em relação á iluminação e o técnico, talvez o espetáculo (ou o iluminador, ou a produção do teatro), não tenham sido feliz em nos deixa sem ver o rosto de Severino, em momentos que o texto não era o suficiente, a música não era suficiente para falar o que o rosto de Severino nos falavam em meia luz. 
Existe um artista plástico chamado Bispo do Rosário, onde a estética do espetáculo me fez lembrar as obras dele, as cores. O figurino que me traz outras possibilidades de ser, a calça que ao avesso possibilita que outras linhas e costuras nos traga uma estética de não cotidiano. A personificação do mar, de Caetana que em cores opacas me leva aos lugares e a fantasias de forma confortante e bela. 
Espetáculo que aconteceu no dia 18 de abril no Teatro Jofre Soares, Maceió- AL ás 20:00, conquistando mais aliados para uma plateia de produções Alagoanas, onde de crianças a adultos, frequentastes ou não de casa de teatro, acredito que foi plantado uma semente para apreciações de produções locais, ou não locais. 


22 novembro 2016

Crítica: “Eu vejo a lua” – Um ator invisível em Volante

Por Gessyca Santos

Atrevo-me a começar de trás para frente, porque fiquei pelo avesso quando o assisti. E é dessa sensação que irei falar sem preocupação em expressar neste início de texto alguns aspectos informativos a respeito do espetáculo teatral Volante. Antes disso, escolho o vazio onde tudo acontece, onde a amplitude do espaço e tempo não nos deixa reduzidos ao real, mas nos engrandece nas irrealidades que nos fazem reais.

Foto de Nivaldo Vasconcelos

O começo era o fim e o fim era o começo. Aquela imagem sedimentou em mim. Era um rapaz de braços abertos, apoiados numa estaca de madeira que estava deitada sobre suas costas e enfeitada de fitas vermelhas. Ele vestia uma roupa com cor de tempo, desgastada e um pouco rasgada devido às suas aventuras de andarilho. Nele também existia um cheiro de mar e o vi transitar de água a passarinho num estalar de dedos. Pensei: Para realizar tal manobra, só com ajuda divina! Talvez por isso ele estivesse fazendo uma reza que tinha velocidade de furacão e temperatura de vulcão.
Com esse fragmento de uma existência efêmera, introduzo esta crítica que aborda o espetáculo Volante interpretado pelo ator Bruno Alves do Coletivo Volante, Maceió – AL, apresentado no dia 09 de março de 2016, às 20h, no Teatro Jofre Soares, integrando a programação da 19ª edição do Palco Giratório na etapa estadual do Sesc- AL. Direciono o meu olhar à força do imaginário em “Volante”, a qual tratarei também como caminho para a construção do que seria um “ator invisível”.
Com uma dramaturgia rica em detalhes, lugares e seres diversos, o espetáculo Volante aposta na simplicidade para nos fazer enxergar o invisível. Com o palco quase “vazio”, pude ver monstros, pássaros, mar, carroça, centauro, barco, janela... E tantas outras imagens. Pareciam mais concretas do que, talvez fossem, se estivessem reduzidas a elementos de cena que tentassem traduzi-las ou representá-las em sua complexidade. Pontuarei três signos que se metamorfoseiam durante o espetáculo, para desenvolver esta crítica, considerando o último pouco explorado em suas possibilidades de uso: composição cenográfica/adereço Caetana, tecido azul e bastão com fitas.
O que se vê ao centro do palco é o que considero uma composição cenográfica, composta por um espelho em formato oval, rodeado de flores, apoiado na parte superior de um apoio em vertical (bastão) coberto por um tecido fino, nos dando a sensação de tratar-se de uma figura feminina. Adiante, essa mesma estrutura é utilizada como um adereço, onde o ator utiliza-o a seu serviço, construindo uma espécie de mascaramento, uma vez que veste o espelho sobre sua face e se camufla entre os tecidos, nos trazendo a imagem da morte Caetana. Aqui, o ator some, não por estar camuflado, mas por se fazer invisível ao assumir outra qualidade de energia, movimento e voz, a meu ver, provocadas pelo mascaramento.
Uma rede de tecidos ligados um ao outro através de nós, de cor azul/ciano, vestia o corpo do ator para nos trazer a imagem do mar. Chamo atenção para um fator: Não era a representação do mar distanciada do corpo do ator, não se tratava de uma moldura ou um cenário fixo. O ator vestia o mar e aquele elemento utilizado já não era mais uma rede de tecidos, na relação com um corpo que se colocava em prontidão, comprometido com o imaginário, fazendo-se água, não poderíamos ver outra coisa se não o mar. O ator desaparece mais uma vez.
Do início ao fim do espetáculo, o ator utilizou um bastão onde apoiou os braços, logo se construiu a imagem do personagem em espantalho, não havia sequer um passarinho sobre os seus ombros, no entanto vi uma revoada! “O olho é a máscara e a máscara é o corpo” diz Lecoq, em Volante o olhar e o corpo do ator receberam esses pássaros em seus ombros e os viram voar, um corpo inteiro comunica por inteiro, então, neste caso estar utilizando o bastão/vara complementou a ação física, construindo a imagem do espantalho, mas a força estava na presença física do ator. Embora este elemento bastão, tenha sido bem utilizado em alguns momentos, como o citado, percebi ao longo do espetáculo que tal elemento se tornou um apoio, onde ora construía imagens, ora se tornava algo fixo, sem razão de estar ou limitado em suas possibilidades, talvez ele precisasse de mais descanso, deixando o corpo do ator fluir em diálogo com as particularidades de cada situação cênica. Considerar este ponto é abrir mão da imagem fixa de Severino com os braços presos ao bastão/vara.

Finalizo com um fragmento de Yoshi Oida. Em seu livro “O Ator Invisível” ele diz: “No teatro kabuqui, há um gesto que indica “olhar para a lua”, quando o ator aponta o dedo indicador para o céu. Certa vez, um ator, que era muito talentoso, interpretou tal gesto com graça e elegância. O público pensou: “oh, ele fez um belo movimento!” apreciaram [...] a exibição de seu virtuosismo técnico. Um outro ator fez o mesmo gesto; [...] o público [...] simplesmente viu a lua. Eu prefiro este tipo de ator: [...] O ator capaz de se tornar invisível.”

14 novembro 2016

“Caminhos Pros Pés Volante”



Há de ficar mais forte a vida a cada novo encontro.

Difícil não se deixar tocar pelo olhar do outro e as historias que ele carrega.

Esse Circuito SESC de Artes foi assim… Jornada de descobertas e reinvenções. 



Não vou esquecer Limoeiro de Anadia, a pimenta caseira no restaurante na beira da estrada, as cores da casa, o sol forte, o vento forte, as senhoras e os senhores nas portas, a praça com aquele anfiteatro, o palco gigante, os caminhos de Jackson…

Não vou esquecer Lagoa da Canoa, ares de música, chão de silêncios e sons, terra que nos deu Hermeto Pascoal, casa de cultura cheia de obras dos artistas locais, a pracinha da igreja, o bêbado cantando e agitando a galera bem no meio da peça, nós pela tarde procurando a lagoa e a canoa dentro da cidade, os burrinhos do lado da lagoa, lagoa bonita, não vimos a canoa, tinha trilho de trem e uma estação abandonada. Lagoa da canoa foi terra que Kaw me trouxe doce de leite embrulhado em papel de presente.

Vou guardar no peito Teotônio Vilela, suas ruas cheias de ciclistas, suas pessoas que nos saúdam com bom dia e sorriso no rosto.

Vou ser grato a Feliz Deserto, não irei esquecê-lo. Uma terra que já traz a felicidade no nome com seu rio quieto no meio da cidade, com sua juventude linda e cheia de arte e sua pracinha do padre Ciço cheia de gente pelos lados...

Vou sonhar mais uma vez com o nascer e o pôr do sol em Piaçabuçu e seu rio que abençoa e que corre resistente por esse país. Vou lembrar dos artistas locais com a força que eles trazem, com a esperança que eles transbordam.



Vou querer encontrar de novo e sempre quando puder Jurandir, Arnauld Kaw, Jefferson, Jonathan e Glauco, porque a música e a dança que eles trazem me cura, me deixa forte nessa vida.

Vou ser feliz cada vez que lembrar das obras de Jackson Lima por ver em sua arte e em sua vida uma poesia de amor para o mundo.

Eu vou ter mais fé na vida e na caminhada, eu me prometo que vou, porque essa jornada me fez entender que nesse mundo a gente ainda encontra calor no abraço do outro e que seguir junto é bem melhor, nos deixa mais forte…

Vou ser grato todos os dias a Magnun Angelo por sua competência, sensibilidade e cuidado. Por tudo que ele tem nos oportunizado aprender ao longo desse ano. Magnun esse ano foi mais bonito para nós e você é parte dessa boniteza.

Ser grato a Magnun é também ser grato ao SESC AL, a Fabrício Barros, A Adriana e a toda equipe da CARC, porque são comprometidos e competentes no que se propõem a fazer.

Vou ser grato a Rayane Wise a cada novo dia por todo aprendizado que vamos tendo juntos nessa jornada.

Vou ser grato a Nivaldo Vasconcelos pelo cuidado e carinho com que fez o material grafico para divulgação e o vídeo “Sobre Volante”.

Vou ser grato a Felipe de Alencar e Elton Nascimento por essa oportunidade de aprender com eles e partilhar continuamente inquietações e descobertas. Que a música de vocês seja uma ponte que indique caminhos para a felicidade.

Vou ser grato aos rapazes da luz e do som(Serginho, Lucivaldo, Jânio e Manu) por serem tão entregues em seu trabalho.

É muita gratidão no peito e não pense que é exagero não. Quem sabe um pouco dessa caminhada eve imaginar o quanto é importante essa oportunidade e como cada passo que a gente vai dando vai abrindo o caminhado.

Meu coração está muito cheio de amor, porque foi isso que recebi em cada canto. Esse circuito renova as forças, mostra aonde a gente está, aonde a gente pode ir e o quanto isso nos modifica.

Aprendi. Aprendi muito!

Deixo um abraço, um sorriso e beijo de gratidão.

Até a próxima!

Bruno Alves

13 novembro 2016

Gratidão, Piaçabuçu!

Piaçabuçu é uma cidade acesa!
Dormimos em Coruripe no dia 11 e chegamos na manhã do dia 12 em Piaçabuçu.
Ficamos em uma pousada na beirada do rio São Francisco.



Demos uma volta pela cidade para conhecer seu dia a dia, seu ritmo, sua gente.
Almoçamos e relato aqui esse fato, porque não é todo dia que temos a oportunidade de ter ao fundo na hora do almoço esse rio.
O rio tem uma energia que nos encanta. Impossível não lembrar o ocorrido com ator Domingos Montagner ao olhar para aquelas águas.
Às 14h saí com Jackson Lima e Jurandir Bozo para a rádio Porto Belo FM. Por lá Dalva de Castro nos esperava para uma entrevista com o locutor da rádio comunitária. Bozo se emocionou ao falar do rio que tem em sua vida desde a infância. Foi emocionante ver a sua alegria pelas recordações que o rio lhe traz e a tristeza pelos maus-tratos que ele vê acontecendo a cada dia.
Saímos para o Povoado Mandim às 18h para passagem de som e aquecimentos. Por lá a ONG “Olha o Chico!” fazia a produção local. A “Olha o Chico” organiza mensalmente um sarau onde abre espaço para as pessoas da cidade se expressarem com as linguagens artísticas. Trabalho lindo e de resistência de Dalva e Jasiel.
Dalva falava da escolha do espaço por ser mais distanciado do centro da cidade e pela necessidade de descentralizar as ações culturais para as comunidades mais distantes.
Foi um espaço diferente o dessa apresentação, mas foi para mim uma das experiências mais incríveis do circuito.
As pessoas foram chegando. Algumas ainda vendo de longe e se chegando aos pouquinhos. Ao iniciar o espetáculo “Volante” por volta das 19h:30min o espaço estava cheio com pessoas dentro e ao redor.



A peça começou e a troca de energia foi tomando conta do lugar. Que generosos os piaçabuçuenses. Foi para mim uma noite de muita emoção.
Ao final Dalva convidou uma morada para receber a Árvore da Felicidade e ficar responsável para plantar na pracinha que por lá existe.
Ao lado do local escolhido para palco estava a exposição “Caminhos” de Jackson Lima que tocava as pessoas que viam suas esculturas. Jackson tem uma obra forte e poderosa. Nos envolve, nos toca, mexe com a gente. Sou um admirador da obra e de sua pessoa cheia de simplicidade e generosidade. Conversamos ao longo do dia. Jackson me ensinou muitas coisas com a sua fé e crença. Perguntei sobre como haviam descoberto sua obra, pois o mesmo mora em um sítio na cidade de Limoeiro de Anadia. Jackson me ensinou que as coisas quando estão para acontecer nada impede que esse rio da vida siga fluindo.


Rayane Wise e Jackson Lima entre uma de suas esculturas.

Jurandir Bozo e sua banda animou o salão. Jurandir canta a terra, as águas, o vento, as estrelas, o mar... Viver com sua banda esses dias me ensinou muita coisa.

"Pros Pés" Jurandir Bozo e os Gêmeos do Coco Jonathan e Jefferson

Quando acabou a programação do Circuito SESC de Artes deu-se início as apresentações dos moradores. As pessoas iam cantar, ler poemas e a grande surpresa para mim foi conhecer o grupo de teatro que vem nascendo na cidade: Os “Nobres Vagabundos”. Quanta força, quanta vontade eu via naquele grupo. Traziam poemas de Bertolt Brecht e corpos acesos e vivos. Que troca maravilhosa esse momento. Encontrar parte de nossa família foi fortalecedor. Como é importante a existência do grupo para a cidade.
"Nobres Vagabundos", "Coletivo Volante de Teatro" e "Pros Pés"

Terminamos a noite na ribeira cantando, vendo a lua sobre as águas, rindo, contando piadas, falando sobre signos, quiromancia, bebendo cachaça e agradecendo aquele encontro.
Piaçabuçu é terra acesa. Água de calmaria. A ONG “Olha o Chico” é um presente para a cidade, pois agita, impulsiona a transformação social através da arte.
A gratidão por esse encontro é imensa. Saímos muito felizes com todo o circuito, pois foi momento rico em aprendizado.
Quero voltar de novo a Piaçabuçu.

Gratidão!