Mostrando postagens com marcador gazeta de alagoas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador gazeta de alagoas. Mostrar todas as postagens

28 junho 2018

As Cigarras Gritam!


Foi no mesmo jornal!

De um lado o “alívio no final” pela vitória do Brasil, do outro dona Maria José buscando respostas para o desaparecimento de seu filho.

Davi da Silva desapareceu há quatro anos após uma abordagem policial aqui em Maceió.

A luta e força de dona Maria nos inspirou a construir “Incelença”.

No Rio de Janeiro outra mãe perdeu seu filho a caminho da escola, baleado pela polícia.
Outras mães perdem todos os dias seus filhos e nós nem sabemos.

São semanas de gritos de gol e de gritos de dor. Tudo muito junto e misturado, como no jornal.

As cigarras gritam!



10 abril 2018

Profissão: Artista - Caderno B Gazeta de Alagoas

Precisamos conversar melhor sobre esse assunto.
Muito importante esse espaço do Caderno B do Jornal Gazeta de Alagoas, pois possibilita dar visibilidade a essa questão quem tem afligindo a nossa classe artística.


Não tive a oportunidade de falar devido ao tempo, mas como minha imagem está na publicação, e com minha autorização, eu me dou o direito de comentar.
Sou Bruno Alves, nasci em Viçosa, cidade do interior alagoano e por lá comecei a trilhar meu caminho com o teatro em 2004 no Grupo Teatral Riacho do Meio, dirigido pelo amado Mestre Ronaldo e Roberta Aureliano.
Venho do teatro amador. Teatro feito num interior com pouco mais de 26 mil habitantes.
O teatro amador foi a nossa casa, a nossa descoberta e ressignificação do espaço. Estávamos lá nas praças, escolas, becos, ruas e vielas, fazendo rir e chorar a população da minha terra.
Venho do teatro amador com muito respeito e eterna gratidão.
Em 2014 fundamos, Nivaldo Vasconcelos, Rayane Góes e eu, o Coletivo Volante de Teatro, um coletivo independente que atua na cidade de Maceió e que busca desde então a profissionalização, buscando os meios burocráticos, como CNPJ, por exemplo, que existem para poder garantir os direitos pelo ofício que executamos.
Considero-me hoje um profissional amador e com muito orgulho!
Se observarmos os últimos anos vamos perceber o sucateamento da nossa profissão. Primeiro eles tentam extinguir o Ministério da Cultura, começam campanhas de difamação e artistas viram vagabundos e pedófilos. Prendem grupos de teatro na rua, prendem performer em Brasília, querem lichar um performer nu no museu, retiram exposições, querem proibir exposições e agora jogar no lixo diplomas, certificados, DRT's e direitos. Tudo muito organizado para fazer calar a voz do artista, para dificultar seu trabalho e sua sustentabilidade.
A discussão aqui, nesse momento, é pelos direitos que foram garantidos nesses últimos 40 anos. Artista se torna uma profissão e tem garantias de direitos trabalhistas como todas as outras.
A discussão é também para garantir ao artista amador (que com toda sua luta tira risos e lagrimas da população de seu bairro periférico, de sua cidade do interior) possam ter garantias de direitos também, que possam se profissionalizar e viver de seus ofícios.
Todo ser humano tem o direito de se expressar artisticamente, isso é fato, isso é direito constitucional. Não é contra a liberdade de expressão artística de cada ser humano que estamos falando. Falamos sobre a garantia de direitos daqueles que vivem suas vidas dedicadas ao oficio de fazer arte. Desses que tiram o sustento de suas obras artísticas, que buscaram e buscam formação para cada dia mais se aperfeiçoar e dar o melhor ao seu público. Esses que se assumem artistas cotidianamente na padaria, na fila da loteria, dentro do ônibus lotado...
É pela manutenção do direito de ter garantias previdenciárias. Não é uma luta de amador X profissional. É uma luta para o amador poder se profissionalizar e ter direitos e o profissional continuar tendo direitos, ter mais direitos e garantias de sustentabilidade.
Vou comentar também sobre o SATED-AL, particularmente não nos representa, enquanto Coletivo Volante de Teatro. É uma instituição que não nos representa em nenhuma instância, porém, não sou contra a sua existência, sou a favor que ele possa se tornar de verdade um órgão que represente a nossa classe e os nossos direitos, mas por enquanto, por aqui, me parece mais um lugar burocrático que dificulta a ampliação de diálogos e direitos.
Pois bem!
Somos artistas, sim!
Não nos separemos dos amadores. Estamos todxs no mesmo palco. Não falemos em vão de nossos palhaços e palhaças, nem de brincadeira, respeitemos esses narizes suados vermelhos. Sim! Somos literalmente palhaços e palhaças e nos orgulhamos desse nosso ofício. Narizes esses que tive a honra de assistir na minha cidade do interior em circos de lona furada. E como eram profissionais! Circos maravilhosos que foram grandes escolas para muitos de nós. (E sem animais que são proibidos por lei desde 2001, graças as deusas!).
Nos unamos! Digamos não a retirada de direitos para que possamos garantir os nossos e os dos que estão por vir.
Pelo direito a DRT! Por direitos trabalhistas!
Por um sindicato que nos represente!
Por mais formação! Por mais direitos e espaços, sim!

Profissão: Artista!

Att.
Bruno Alves

21 março 2018